Alemanha e Itália rechaçam proposta para UE suspender acordo com Israel
Ideia lançada por Espanha e Irlanda não conseguiu avançar no bloco europeu
A Alemanha e a Itália rejeitaram nesta terça-feira (21) um apelo para a União Europeia suspender um acordo de cooperação comercial com Israel devido à guerra no Líbano e à situação da Cisjordânia ocupada.
O tema foi levado por Espanha e Irlanda à mesa de uma reunião entre ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo, mas ficou longe de encontrar a unanimidade necessária para avançar.
"A proposta de suspensão do acordo com Israel foi definitivamente afastada. Discutiremos outras iniciativas que podem ser tomadas na próxima reunião ministerial, em 11 de maio", disse o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.
O chanceler lembrou que Roma suspendeu recentemente um memorando de defesa com Tel Aviv, mas argumentou que as pressões contra o governo israelense não devem recair sobre a "população civil". "Nossa posição é diferente daquela da Espanha, porque a deles não parece ser o caminho certo. Nossa posição é idêntica à da Alemanha", salientou.
Para Tajani, o melhor caminho é "sancionar individualmente" os colonos responsáveis por atos de violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, definiu a proposta de Espanha e Irlanda como "inapropriada" e disse que é preciso realizar um "diálogo crítico e construtivo com Israel". Wadephul também cobrou que o governo de Benjamin Netanyahu tome medidas "firmes" contra a violência de colonos judeus e não anexe a Cisjordânia ocupada.
Por outro lado, a Espanha pediu que a UE aumente a pressão e envie uma "mensagem forte" a Israel, que "não pode se relacionar com seus vizinhos somente por meio da guerra". "Não podemos ficar sem fazer nada", destacou o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares.
Sua homóloga irlandesa, Helen McEntee, afirmou ainda que a "credibilidade" da União Europeia está em jogo e que é preciso agir de maneira "urgente".
A postura de alguns Estados-membros da UE em relação a Israel já vinha se endurecendo devido às mortes de civis na guerra em Gaza, mas esse movimento se acelerou após a nova invasão israelense do Líbano e a aprovação de uma lei que facilita a pena de morte contra palestinos na Cisjordânia ocupada.
A Comissão Europeia, poder Executivo do bloco, já apresentou no ano passado uma série de medidas potenciais, incluindo a suspensão de relações comerciais ou a imposição de sanções contra ministros de Israel, mas nenhuma delas obteve apoio suficiente até o momento.