Presidente do Irã prega 'diplomacia' após apreensão de navio pelos EUA
Pezeshkian defendeu postura 'racional' para 'reduzir as tensões'
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, defendeu nesta segunda-feira (20) o uso de vias "diplomáticas" para "reduzir as tensões", na esteira da apreensão de um navio cargueiro do país pelos Estados Unidos no Golfo de Omã.
"A guerra não é do interesse de ninguém e, mesmo resistindo às ameaças, qualquer via racional e diplomática deveria ser percorrida para reduzir as tensões", afirmou o mandatário, de acordo com a agência de notícias estatal Irna.
Pezeshkian, no entanto, acrescentou que a "desconfiança em relação ao inimigo e a vigilância nas interações são uma necessidade inegável".
No último domingo (19), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o sequestro de um cargueiro iraniano que havia tentado furar o bloqueio americano na entrada do Estreito de Ormuz.
Segundo o republicano, a embarcação Touska, que chegava da China, foi alertada para parar, mas a tripulação "se recusou a ouvir".
"Temos total custódia do navio", salientou Trump.
Apesar do tom moderado de Pezeshkian, um porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã prometeu "reagir" contra esse "ato de pirataria armada e contra os militares americanos" e acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo de duas semanas.
"Eles atacaram o navio desativando seu sistema de navegação e desembarcando alguns de seus homens armados, terroristas, no convés", acrescentou.
De acordo com a agência semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, as forças da República Islâmica lançaram drones contra embarcações militares dos EUA, que não comentaram a represália.
O episódio também arrisca comprometer a próxima rodada de negociações entre Washington e Teerã em Islamabad, no Paquistão, na tentativa de prorrogar o cessar-fogo, que termina na quarta-feira (22), e reabrir plenamente o Estreito de Ormuz.
Segundo Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, o país só enviará uma delegação para as tratativas se receber "sinais positivos". Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse que não está previsto nenhum encontro no momento. "Achamos que os Estados Unidos não estão seriamente intencionados a percorrer um caminho diplomático", afirmou.
O Irã chegou a reabrir o Estreito de Ormuz no fim da semana passada, após a trégua no Líbano, porém fechou a rota novamente depois de os EUA manterem o bloqueio contra os portos iranianos na região.