Papa Leão XIV volta a condenar desigualdades em missa em Angola
'Não viemos ao mundo para morrer nem nos tornar escravos', disse
O papa Leão XIV voltou a condenar as desigualdades sociais e a concentração de renda nesta segunda-feira (20), em uma missa para mais de 60 mil fiéis na Esplanada de Saurimo, em Angola, penúltima etapa da primeira viagem do pontífice norte-americano à África.
Em sua homilia, Robert Prevost afirmou que "muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza" e que "não viemos ao mundo para morrer" nem "para nos tornar escravos da carne ou da alma".
"Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. [...] Toda forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade", disse o Papa.
Durante a missa, Leão XIV também criticou a substituição da "fé autêntica" pelo "comércio supersticioso", no qual "Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve".
Segundo o pontífice, Jesus Cristo não pode ser tratado como um "guru" ou um "amuleto da sorte", muito menos ser "reverenciado por interesse". "Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser", salientou.
Saurimo fica no sul de Angola, em uma remota região conhecida pela exploração de diamantes e pela forte presença de crenças tradicionais ancestrais. O país é a terceira e penúltima etapa do tour de Leão XIV pela África, que já incluiu Argélia e Camarões e terminará na Guiné Equatorial.