Delator confirma aliança entre as 3 grandes máfias da Itália
Gioacchino Amico decidiu colaborar no megaprocesso "Hydra"
Um novo delator da máfia confirmou à Justiça da Itália que existe uma aliança entre as três grandes organizações criminosas do país: a Camorra, com base em Nápoles, a Cosa Nostra, da Sicília, e a 'ndrangheta, da Calábria.
A revelação foi feita por Gioacchino Amico, suposto expoente do "sistema mafioso na Lombardia" e representante do clã camorrista dos Senese, no âmbito do megaprocesso "Hydra". Esse monstro da mitologia grega tem corpo de dragão e cabeças de serpente, sendo que cada uma cresce novamente logo após ser cortada.
Em depoimento dado em 3 de fevereiro, Amico, 40 anos, contou ter participado de diversas reuniões com lideranças das três máfias na Lombardia, no norte da Itália, e que decidiu "mudar de vida" por causa de sua mãe, "que está muito doente", e sua esposa, que ele "arrastou para este processo".
"Quero mudar de vida, acertar as contas com o passado e me reabilitar com a sociedade. Também iniciei um percurso de fé", declarou o delator, que, por outro lado, disse saber dos riscos que está correndo. "Estou perfeitamente consciente das várias tentativas de me matar, e minha escolha de colaborar mira garantir minha incolumidade, mas só posso fazer isso mudando de vida", afirmou.
O depoimento foi revelado nesta quinta-feira (19) pela procuradora Alessandra Cerreti, na primeira audiência do megaprocesso contra 45 réus, incluindo o próprio Amico, que trocou de advogado recentemente para fazer um acordo de delação premiada. O julgamento acontece em um tribunal bunker em Milão.
Outro colaborador da Justiça, Bernardo Pace, 62, se suicidou na cadeia na última segunda (16). Uma das informações reveladas por Pace aponta que Matteo Messina Denaro, o poderoso chefão da Cosa Nostra capturado e morto de câncer em 2023, frequentava Milão para se reunir com a cúpula do "sistema mafioso lombardo".
O suicídio de Pace está sendo investigado, já que ele nunca havia manifestado propensão a tirar a própria vida e tinha inclusive apresentado pedido para deixar a prisão, no âmbito de um programa de proteção a colaboradores da Justiça.