RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Em decisão inédita, governo do Líbano bane atividades militares do Hezbollah

Premiê ordenou que o grupo xiita entregue suas armas

Por Redação ANSA Publicado em 02/03/2026 às 13:24
Apoiadores do Hezbollah protestam em Beirute após assassinato de Ali Khamenei © ANSA/EPA

O governo do Líbano decidiu banir todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah, uma medida inédita que tenta evitar que o país inteiro seja arrastado para o conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (2), após ataques israelenses matarem mais de 30 pessoas em território libanês, em represália contra mísseis e drones disparados pelo grupo xiita.

Uma das vítimas é o chefe de inteligência do Hezbollah, Hussein Makled. A ação do movimento foi uma vingança pelo assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, seu aliado histórico.

"O Estado libanês declara sua rejeição absoluta e inequívoca a quaisquer ações militares ou de segurança lançadas do território libanês fora do âmbito de suas instituições legítimas", declarou o primeiro-ministro Nawaf Salam.

"Isso exige a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah, por considerá-las ilegais, e obriga o grupo a entregar suas armas", acrescentou.

Salam também ordenou que os órgãos militares e de segurança tomem "medidas imediatas" para implementar a decisão e evitar que o Líbano seja usado para ataques contra Israel.

Essa é a primeira vez que o governo interdita as atividades militares do partido armado fundado em 1982, um dos grupos mais influentes do Líbano, ainda que enfraquecido pela recente guerra com Israel.

O governo libanês já havia decidido, em agosto passado, desarmar gradualmente o Hezbollah, na esteira do cessar-fogo assinado com Israel em novembro de 2024.

Salam pediu ainda que os países fiadores da trégua — Estados Unidos e França — "obtenham um compromisso claro e definitivo do lado israelense de cessar todos os ataques em território libanês".