CONFLITO

Paquistão declara 'guerra aberta' ao governo Talibã do Afeganistão

Medida foi tomada após conflitos aumentarem na fronteira entre países

Por Redação ANSA Publicado em 27/02/2026 às 11:27
Medida foi tomada após conflitos aumentarem na fronteira entre países © ANSA/AFP

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarou "guerra aberta" contra o governo Talibã do Afeganistão nesta sexta-feira (27), após trocas de hostilidades entre os dois países na fronteira elevarem as tensões.

"Nossa paciência chegou ao limite. Agora é guerra aberta entre nós e vocês", escreveu o político paquistanês em suas redes sociais.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que as Forças Armadas de seu país podem "esmagar" os agressores, após Islamabad bombardear importantes cidades afegãs, incluindo a capital Cabul.

A operação militar paquistanesa ocorreu depois que forças do Talibã atacaram tropas do país vizinho na última quinta-feira (26), em resposta a ataques aéreos anteriores realizados por Islamabad.

Segundo o porta-voz do governo paquistanês, Mosharraf Zaidi, os contra-ataques teriam matado 133 combatentes talibãs e deixado mais de 200 feridos. O representante de Islamabad acrescentou que dezenas de posições afegãs foram destruídas ou capturadas.

Rússia e China manifestaram preocupação com os recentes acontecimentos na região e pediram que as duas partes não escalem as hostilidades.

"A China exorta ambos os lados a manter a calma e exercer moderação, além de alcançar um cessar-fogo o mais rápido possível e evitar mais derramamento de sangue", informou o Ministério das Relações Exteriores chinês, em comunicado divulgado por Pequim.

As relações entre os dois países pioraram nos últimos meses. As passagens de fronteira terrestre permanecem, em grande parte, fechadas após os sangrentos confrontos de outubro, que deixaram mais de 70 mortos dos dois lados.

Islamabad acusa Cabul de não agir contra grupos militantes responsáveis por ataques em território paquistanês, alegação que o governo talibã nega. A maioria das ofensivas foi reivindicada pelo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), grupo que intensificou os ataques no Paquistão desde que o Talibã afegão retornou ao poder em Cabul, em 2021.