UCRÂNIA

Após inverno brutal, milhões de pessoas na Ucrânia enfrentam deslocamento crescente e incerteza

Após o inverno mais severo em anos, milhões de ucranianos enfrentam deslocamento e crise humanitária. Saiba como o ACNUR apoia refugiados e comunidades afetadas.

Por ACNUR - Agência da ONU para Refugiados Publicado em 24/02/2026 às 14:13
Após inverno brutal, milhões de pessoas na Ucrânia enfrentam deslocamento crescente e incerteza ACNUR - Agência da ONU para Refugiados

GENEBRA – Após sobreviverem ao inverno mais rigoroso em uma década, milhões de pessoas ucranianas deslocadas enfrentam uma crise crescente marcada por dificuldades e ataques contínuos, enquanto as perspectivas de paz permanecem distantes.

Dentro da Ucrânia, ataques repetidos a moradias, sistemas de energia e serviços essenciais ao longo do inverno deixaram milhões sem aquecimento ou eletricidade por longos períodos. Embora as temperaturas estejam subindo lentamente, os danos permanecem. Estima-se que 10,8 milhões de pessoas dentro do país precisem de assistência humanitária em 2026, e 3,7 milhões estejam deslocadas internamente.

Ao mesmo tempo, 5,9 milhões de ucranianos continuam refugiados no exterior. Em toda a Europa, os países anfitriões ofereceram proteção e oportunidades em uma escala sem precedentes, concedendo aos refugiados acesso à educação, saúde e emprego. Isso ajudou milhões a recuperarem estabilidade e contribuírem com as comunidades locais.

No entanto, à medida que a guerra continua, mais apoio é necessário para refugiados em uma crise de deslocamento sem um fim claro. Junto com a Proteção Temporária, os Estados devem explorar opções de arranjos alternativos para estadias mais longas. Isso pode trazer estabilidade especialmente para os mais vulneráveis, que podem não conseguir retornar imediatamente mesmo após o fim da guerra.

Evidências mostram que a inclusão significativa gera resultados e que os refugiados contribuem de forma expressiva para as economias dos países anfitriões. Na Polônia, uma análise do ACNUR e da Deloitte demonstrou que o impacto líquido dos refugiados ucranianos representou 2,7% do PIB polonês em 2024. Com maior oferta de cursos de idiomas e reconhecimento mais amplo de qualificações, o acesso ao trabalho digno e à autossuficiência pode melhorar para refugiados em toda a região.

Dentro da Ucrânia, comunidades continuam reparando casas, restaurando serviços e reconstruindo meios de subsistência, com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de ONGs parceiras. Mas, após quatro anos de guerra, a resiliência tem limites. A assistência humanitária contínua é essencial, juntamente com apoio ampliado à recuperação e reconstrução para evitar mais deslocamentos e possibilitar condições seguras de retorno.

Quando as condições permitirem, retornos graduais e voluntários serão fundamentais para a recuperação da Ucrânia. O ACNUR trabalha com o governo e parceiros para restaurar documentos das pessoas, apoiar a reabilitação de infraestrutura social e reparar casas danificadas pela guerra. O ACNUR também atua com parceiros para analisar as intenções dos refugiados, prever movimentos de retorno e apoiar o planejamento de recuperação do país.

Desde o início da guerra em grande escala, o ACNUR e seus parceiros apoiaram 10 milhões de pessoas com ajuda emergencial, serviços de proteção e apoio psicossocial. Em 2026, o ACNUR planeja ajudar mais 2 milhões de pessoas dentro do país, sujeito à disponibilidade de recursos. Em toda a região, o ACNUR e parceiros estão apoiando 1,7 milhão de refugiados e os Estados que os acolhem, com foco na inclusão e autossuficiência.

À medida que o inverno se vai, a crise humanitária não desaparece. Devemos apoiar o povo da Ucrânia com ajuda humanitária e esforços de recuperação dentro do país, e com segurança e autonomia no exterior.