RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Parlamento da UE adia votação de acordo comercial com EUA

'Há muitos elementos de incerteza' após sentença, disse relator

Por Redação ANSA Publicado em 23/02/2026 às 15:46
Donald Trump definiu sentença da Suprema Corte como 'ridícula ' © ANSA/EPA

O Parlamento da União Europeia adiou mais uma vez a votação do acordo comercial com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar uma "tarifa global" de 15% contra mercadorias importadas.

Trata-se de mais um desdobramento da sentença da Suprema Corte americana que declarou como ilegal a estratégia do mandatário de usar a Lei de Poderes Econômicos Emergenciais para justificar tarifaços impostos no ano passado.

"Está claro que as bases legais mudaram. Há novas tarifas totalmente diferentes das anteriores, e muitos produtos com alíquota de 15% não são cobertos pelo acordo assinado na Escócia", disse o relator do texto no Parlamento Europeu, o socialista alemão Bernd Lange.

O pacto seria analisado pela Comissão de Comércio Internacional do Legislativo do bloco em 24 de fevereiro, mas, segundo Lange, há "muitos elementos de incerteza". "Então decidimos ter outro encontro na próxima semana. Precisamos de certezas, porém uma votação em 11 de março ainda é possível", acrescentou. O colegiado já havia adiado a votação em janeiro, em meio à crise da Groenlândia.

O acordo assinado na Escócia em julho passado estabelece uma alíquota de 15% para produtos da UE entrarem nos EUA, que, em troca, ganham um regime de tarifa zero para acessar o mercado europeu em determinadas categorias.

Antes da assinatura, Trump chegou a anunciar uma alíquota de 30% contra o bloco, mas aceitou reduzi-la para 15% após o compromisso europeu de investir US$ 600 bilhões nos EUA e comprar US$ 750 bilhões em bens energéticos americanos, sobretudo combustíveis fósseis, ao longo de três anos.

O presidente, enquanto isso, voltou a definir como "ridícula" a sentença da Suprema Corte e afirmou que não precisa do aval do Congresso para aumentar tarifas de importação, contrariando a tese que prevaleceu entre os juízes do tribunal, que tem maioria conservadora.

O protecionismo de Trump também foi tema de uma reunião ministerial do G7 nesta segunda-feira (23), e o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o governo americano deu "garantias sobre a vontade de não criar instabilidade". "É importante continuar a trabalhar construtivamente com Washington para uma transição rápida para o novo sistema", acrescentou.

Fontes europeias informaram à ANSA que o representante dos EUA para Comércio, Jamieson Greer, disse na reunião que o objetivo é "manter o quadro tarifário anterior" à sentença, porém com "bases jurídicas diferentes", evitando a possibilidade de "reembolsos para empresas exportadoras estrangeiras".