RELAÇÕES INTERNACIONAIS

De navios de guerra à captura: Veja a cronologia da tensão entre EUA e Venezuela

Seis meses de escalada culminou com a captura de Nicolás Maduro

Por Redação ANSA Publicado em 05/01/2026 às 08:16
Maduro foi capturado pelo governo dos EUA no dia 3 de janeiro © ANSA/EPA

Desde o envio de navios de guerra dos Estados Unidos para o Mar do Caribe até a ameaça de um ataque terrestre, culminando na ofensiva em larga escala que levou à captura do ditador Nicolás Maduro.

As tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela vinham aumentando há meses, com o presidente norte-americano, Donald Trump, adotando um tom cada vez mais agressivo contra Maduro e lançando a Operação Lança do Sul, oficialmente destinada a combater o narcoterrorismo.

Confira o cronograma dos últimos seis meses:

7 de agosto - Os EUA dobram a recompensa para US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Maduro e anunciam novas ações em Caracas "em breve".

21 de agosto - Três navios de guerra norte-americanos chegam ao Caribe, acompanhados por submarinos nucleares, aviões de reconhecimento P-8 Poseidon, destróieres e uma unidade de mísseis.

27 de agosto - O maior destacamento militar dos EUA em décadas aproxima-se do Caribe. A Venezuela reforça suas patrulhas navais, drones e grandes embarcações militares.

5 de setembro - O Pentágono relata que dois jatos militares venezuelanos sobrevoaram um navio da Marinha dos EUA em águas internacionais: "Eles serão abatidos". Trump anuncia o envio de 10 caças para Porto Rico.

16 de setembro - Os EUA atacam uma embarcação suspeita de transportar traficantes de drogas; a Venezuela acusa Washington de "agressão".

29 de setembro - Maduro declara estado de emergência devido à ameaça de um ataque dos EUA.

3 de outubro - Forças americanas atacam outra embarcação suspeita de tráfico na costa venezuelana, matando quatro pessoas.

16 de outubro - Trump anuncia operações secretas da CIA na Venezuela.

23 de outubro - Trump aumenta a retórica e promete que "em breve" haverá "ações terrestres na Venezuela".

25 de outubro - Washington envia um porta-aviões para o Caribe; Caracas afirma estar "se preparando para a guerra", enquanto Bogotá pede que os "gringos" retornem para casa.

26 de outubro - Um navio de mísseis dos EUA chega a Trinidad e Tobago, a apenas 10 km da costa venezuelana, permanecendo atracado por quatro dias antes de partir.

1º de novembro - Os EUA realizam o maior destacamento naval na região desde a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962.

2 de novembro - Fuzileiros navais americanos realizam exercícios de desembarque em Porto Rico, enquanto outra embarcação suspeita de tráfico é atacada no Caribe, resultando em três mortes.

3 de novembro - Trump declara: "Os dias de Maduro estão contados." 6 de novembro - O Senado dos EUA rejeita uma resolução que impediria Trump de atacar a Venezuela sem autorização do Congresso.

13 de novembro - O Pentágono lança oficialmente a Operação "Lança do Sul" contra narcotraficantes no Hemisfério Ocidental, liderada pela Força-Tarefa Conjunta e pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM). Maduro reage: "Deixem-nos em paz."

29 de novembro - Enquanto o jornal New York Times reporta uma tentativa de conversa telefônica entre Trump e Maduro para agendar uma reunião, o republicano declara o espaço aéreo venezuelano "fechado" e alerta que operações terrestres contra narcotraficantes começarão "muito em breve".

1º de dezembro - Trump dá um ultimato a Maduro: "Saia da Venezuela imediatamente se quiser se salvar." Maduro recusa.

5 de dezembro - Segundo o The Telegraph, Maduro teria pedido refúgio seguro, US$ 200 milhões e anistia para cerca de 100 funcionários em troca de renúncia e fuga.

10 de dezembro - Os EUA apreendem um navio-tanque de petróleo na costa venezuelana.

17 de dezembro - Trump ordena bloqueio total a todos os petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela.

29 de dezembro - O presidente anuncia o primeiro ataque terrestre, realizado pela CIA contra uma instalação portuária.

3 de janeiro de 2026 - Os EUA lançam uma operação em grande escala em Caracas, capturando Maduro e sua esposa e levando-os para fora do país.