DIPLOMACIA

Lula confirma participação nesta segunda de reunião da ONU sobre ataque dos EUA à Venezuela

Governo classifica ação militar como inaceitável, acompanha situação na fronteira e descarta brasileiros entre vítimas

Publicado em 03/01/2026 às 20:42
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O governo brasileiro confirmou, na tarde deste sábado (3), que o Brasil participará da reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), convocada para discutir a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela. O encontro está previsto para a manhã de segunda-feira (5) e foi solicitado pela Colômbia após ataques aéreos em Caracas e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A informação foi confirmada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, após reunião ministerial realizada em Brasília. Embora o Brasil não seja membro do Conselho de Segurança, o país poderá participar dos debates, conforme prevê o regimento da ONU, ainda que sem direito a voto. Atualmente, o Conselho é composto pelos membros permanentes China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, além de países rotativos. Em janeiro, a presidência do colegiado está sob responsabilidade da Somália.

Segundo Rocha, também está prevista para a tarde de domingo (4) uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), com o objetivo de articular uma posição regional diante da escalada do conflito.

O pronunciamento do governo ocorreu após encontros que reuniram ministros da Defesa, Casa Civil, Justiça e Segurança Pública, além de representantes da Secretaria de Comunicação Social, Relações Institucionais, do Itamaraty e da embaixadora do Brasil em Caracas.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a ação militar dos Estados Unidos como “inaceitável” e alertou para um “precedente extremamente perigoso” para a América Latina. Em nota e publicações nas redes sociais, Lula afirmou que os bombardeios e a captura de um chefe de Estado representam grave violação do direito internacional e ameaçam a estabilidade regional.

Na área de segurança, o ministro da Defesa, José Múcio, informou que não há movimentação anormal na fronteira entre Brasil e Venezuela. Apesar de o governo venezuelano ter fechado a passagem do seu lado, o trecho brasileiro segue aberto e operando normalmente. O Ministério da Justiça afirmou que monitora a situação e se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados.

O governo brasileiro também confirmou que não há registro de brasileiros entre as vítimas dos ataques e que cerca de 100 turistas nacionais conseguiram deixar a Venezuela ao longo do dia sem dificuldades.