Itália quer esclarecimentos sobre incêndio em bar na Suíça durante Ano Novo
Tajani iniciou visita em Crans-Montana e homenageou vítimas de tragédia
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, visitou na manhã desta sexta-feira (2) o local do incêndio no bar de Crans-Montana, na Suíça, onde ao menos 47 pessoas morreram e outras 115 ficaram feridas, incluindo cidadãos italianos, e pediu esclarecimentos sobre as circunstâncias da tragédia.
Em entrevista coletiva, ele afirmou que "uma investigação está em andamento" e que "dezenas de pessoas já foram interrogadas para determinar a responsabilidade" pelo desastre.
"Infelizmente, as imagens que vimos são dramáticas; algo deu errado. Caberá ao judiciário conduzir a investigação e determinar as responsabilidades. Essa é a primeira coisa que pedi ao Procurador-Geral para fazer", disse Tajani à imprensa.
O chanceler italiano destacou ainda que a colaboração com as autoridades suíças está sendo "muito positiva", mas alertou que, depois de "salvar vidas", a busca pela verdade é "fundamental".
Questionado sobre os vídeos que circulam online, mostrando o uso de sinalizadores dentro do bar e o início do incêndio, Tajani considerou a ação "irresponsável".
"Eu não conhecia o local, mas o uso de fogos de artifício, mesmo que pequenos, num lugar como este... eu diria que me parece uma escolha bastante irresponsável", enfatizou o ministro das Relações Exteriores italiano.
Durante a visita, o ministro depositou um buquê de flores em um memorial em frente ao bar afetado e ainda se reunirá com os familiares das vítimas.
Além disso, Tajani confirmou o envolvimento de 19 italianos na tragédia, dos quais 6 ainda estão desaparecidos e 13 estão hospitalizados (3 em Milão e 10 na Suíça). Muitas vítimas, incluindo jovens, estão irreconhecíveis devido às desfigurações causadas pelas queimaduras.
Ontem, três italianos, uma jovem de 29 anos e dois rapazes de 16 anos, foram transferidos de helicóptero para o hospital especializado em queimaduras em Niguarda, em Milão, enquanto nesta sexta é esperada a chegada de mais quatro pacientes da Suíça.
Mais cedo, a Federação Italiana de Golfe confirmou que a primeira vítima identificada é o italiano Emanuele Galeppini, apesar de o Ministério das Relações Exteriores e a família pedirem que se aguarde os resultados dos testes de DNA. Ainda há três feridos que ainda não foram identificados.
"Esperamos que possam ser italianos. Não podemos divulgar notícias não confirmadas sobre os mortos e feridos", afirmou.
O incêndio devastador, alimentado por um fenômeno de "flashover" possivelmente causado por velas em garrafas de champanhe abertas que atingiram o teto do bar Constellation, começou durante uma festa de fim de ano de jovens.
"Levará muito tempo, será muito difícil identificar" as vítimas do incêndio em Crans-Montana, disse Tajani, que garantiu que as autoridades estão trabalhando na situação com uma força-tarefa e "o embaixador e o cônsul-geral estão presentes permanentemente".