Autoridades suíças identificam maioria dos feridos em incêndio
País investigará homicídio culposo e lesão corporal por negligência
As autoridades suíças informaram nesta sexta-feira (2) que a maioria dos feridos no incêndio ocorrido no bar Le Constellation, em Crans-Montana, durante a festa de Réveillon, já foi identificada.
Em coletiva de imprensa, a polícia afirmou que 113 das 119 pessoas feridas no episódio foram "formal e definitivamente identificadas", enquanto o processo de identificação das outras seis ainda está em andamento.
Entre os feridos, 11 são italianos, mas a maioria tem nacionalidade suíça (71) e francesa (14). Há ainda quatro sérvios, um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. A nacionalidade de 14 pessoas ainda não foi determinada.
"Esses números podem mudar. A identificação dos mortos está em andamento e é uma prioridade", afirmou o comandante da polícia local, Frédéric Gisler.
A procuradora suíça Béatrice Pilloud reforçou que os dados divulgados pelas autoridades sobre a tragédia de Crans-Montana devem evoluir nas próximas horas e dias. Ela também indicou a provável causa do incêndio.
"Aparentemente, o incêndio começou por causa de velas colocadas sobre garrafas de champanhe, que estavam muito próximas do teto. Isso levou ao que está sendo chamado de incêndio súbito, no qual o fogo se espalhou muito rapidamente", avaliou Pilloud.
A autoridade do cantão do Valais acrescentou que as acusações criminais investigadas no caso incluem incêndio criminoso por negligência, homicídio culposo e lesão corporal por negligência.
Já Mathias Reynard, presidente do Conselho de Estado do Valais, informou que cerca de 50 feridos serão transferidos para centros especializados no tratamento de queimaduras em outros países europeus. Ele também revelou a visita do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.
"O ministro italiano Tajani veio a Crans-Montana em um gesto de solidariedade e para se encontrar com as famílias da comunidade italiana afetada pela tragédia. Aceitamos a proposta de transferência dos feridos para o norte da Itália", disse Reynard, acrescentando que uma cerimônia em homenagem às vítimas ocorrerá na próxima semana.
Stéphane Ganzer, chefe do Departamento de Segurança do cantão do Valais, afirmou em entrevista à rádio francesa RTL que dezenas de feridos permanecem internados em estado crítico.
"Esse número está em constante mudança, pois sabemos que pessoas com queimaduras de terceiro grau em cerca de 15% da superfície corporal correm risco de morte nas horas e dias seguintes, devido à possibilidade de infecção generalizada", explicou.