ECONOMIA

EUA planejam afundar transatlântico para criar recife artificial

SS United States, icônico navio da década de 50, será submerso no golfo do México em novembro.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 02/11/2026 às 18:40
SS United States será afundado para formar o maior recife artificial do mundo. © telegram SputnikBrasil

🪸 EUA planejam afundar transatlântico para criar recife artificial

O lendário transatlântico que outrora transportou líderes mundiais, ícones de Hollywood e milhares de imigrantes através do Atlântico prepara-se para a aventura final, que já entrou para a história como marco de engenharia do século XX. Em meados de novembro, as autoridades da Flórida planejam afundar no golfo do México o navio SS United States.

A embarcação foi batizada em 1951 e, já no ano seguinte, durante sua primeira viagem, bateu o recorde de velocidade ao cruzar o Atlântico. O navio conseguiu atingir uma velocidade média superior a 66 km/h, percorrendo a rota em três dias, dez horas e 40 minutos, dez horas mais rápido que o recorde anterior. Nenhum navio de passageiros moderno conseguiu, até o momento, superar esse resultado ao cruzar o Atlântico.

O navio foi construído de forma a poder ser utilizado para o transporte de tropas em tempo de guerra. Por isso, um terço do custo do projeto foi coberto pela Administração Marítima e pela Marinha dos EUA. Assim, ele recebeu uma série de recursos necessários para fins militares: divisão do casco em compartimentos, capacidade de atravessar o canal do Panamá e maior autonomia de navegação; além disso, podia acomodar cerca de 14 mil militares e percorrer distâncias de 10 mil milhas sem reabastecimento. No entanto, o navio nunca chegou a ser utilizado para fins militares.

Entre os passageiros do SS United States estavam os presidentes norte-americanos Harry Truman, Dwight Eisenhower, John F. Kennedy e Bill Clinton. Entre as personalidades da cultura que estiveram a bordo do navio estavam Marilyn Monroe, Walt Disney, Salvador Dalí, Coco Chanel, Marlon Brando e Grace Kelly. Além disso, em 1963, o navio transportou a "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, através do Atlântico.

Porém, o desenvolvimento dos voos aéreos fez com que o transatlântico passasse a ter prejuízos. Em setembro de 1969, ele fez o seu último desembarque com passageiros. Por muitos anos, o navio permaneceu parado no cais, embora houvesse propostas para restaurá-lo. Apesar dos protestos de organizações de preservação do patrimônio histórico, as autoridades locais insistem que transformar o transatlântico em um recife artificial é a única maneira de evitar que ele seja enviado para a sucata.

Siga a @sputnikbrasil no Telegram