EUA planejam afundar transatlântico para criar recife artificial
SS United States, icônico navio da década de 50, será submerso no golfo do México em novembro.
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O lendário transatlântico que outrora transportou líderes mundiais, ícones de Hollywood e milhares de imigrantes através do Atlântico prepara-se para a aventura final, que já entrou para a história como marco de engenharia do século XX. Em meados de novembro, as autoridades da Flórida planejam afundar no golfo do México o navio SS United States.
A embarcação foi batizada em 1951 e, já no ano seguinte, durante sua primeira viagem, bateu o recorde de velocidade ao cruzar o Atlântico. O navio conseguiu atingir uma velocidade média superior a 66 km/h, percorrendo a rota em três dias, dez horas e 40 minutos, dez horas mais rápido que o recorde anterior. Nenhum navio de passageiros moderno conseguiu, até o momento, superar esse resultado ao cruzar o Atlântico.
O navio foi construído de forma a poder ser utilizado para o transporte de tropas em tempo de guerra. Por isso, um terço do custo do projeto foi coberto pela Administração Marítima e pela Marinha dos EUA. Assim, ele recebeu uma série de recursos necessários para fins militares: divisão do casco em compartimentos, capacidade de atravessar o canal do Panamá e maior autonomia de navegação; além disso, podia acomodar cerca de 14 mil militares e percorrer distâncias de 10 mil milhas sem reabastecimento. No entanto, o navio nunca chegou a ser utilizado para fins militares.
Entre os passageiros do SS United States estavam os presidentes norte-americanos Harry Truman, Dwight Eisenhower, John F. Kennedy e Bill Clinton. Entre as personalidades da cultura que estiveram a bordo do navio estavam Marilyn Monroe, Walt Disney, Salvador Dalí, Coco Chanel, Marlon Brando e Grace Kelly. Além disso, em 1963, o navio transportou a "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, através do Atlântico.
Porém, o desenvolvimento dos voos aéreos fez com que o transatlântico passasse a ter prejuízos. Em setembro de 1969, ele fez o seu último desembarque com passageiros. Por muitos anos, o navio permaneceu parado no cais, embora houvesse propostas para restaurá-lo. Apesar dos protestos de organizações de preservação do patrimônio histórico, as autoridades locais insistem que transformar o transatlântico em um recife artificial é a única maneira de evitar que ele seja enviado para a sucata.
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