Fatores externos que moldam as eleições de meio de mandato nos EUA
As eleições legislativas estão agendadas para terça-feira, 3 de novembro de 2026, e podem testar a resistência de Trump.
Os eleitores escolherão os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 senadores, além de votarem em disputas estaduais importantes.
O Partido Republicano, de Trump, se empenha em manter a estreita maioria que detém nas duas casas, já o Partido Democrata busca conquistar espaço no Congresso para limitar a agenda do governo, ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca e influenciar decisões sobre imigração, economia, política externa e gastos públicos.
A Sputnik Brasil listou cinco fatores externos que podem influenciar as eleições legislativas dos EUA.
A guerra contra o Irã e o risco de escalada militar
Em fevereiro de 2026, Trump iniciou operações militares contra o Irã em uma ofensiva conjunta com Israel. O conflito provocou retaliações iranianas e restrições à circulação de navios no estreito de Ormuz.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada em outubro apontou que 54% dos norte-americanos entrevistados consideravam que a guerra não tinha valido a pena.
A mídia estadunidense informou que o governo Trump não descarta novos ataques ao Irã após as eleições e já alertou aliados sobre a possibilidade.
O conflito coloca em discussão uma contradição de Trump, que prometeu, durante a campanha presidencial, evitar novas guerras e o envolvimento militar norte-americano no Oriente Médio. Também abre espaço para questionamentos sobre gastos militares e autorização do Congresso.
A crise energética e a alta dos combustíveis
O estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás. A guerra provocou interrupções no transporte marítimo e na oferta internacional de energia.
O preço médio da gasolina nos EUA voltou a ultrapassar US$ 4 por galão (cerca de R$ 21). Em setembro, a inflação norte-americana anual chegou a 3,7%, com a gasolina respondendo por mais da metade da alta mensal do índice.
O eleitor pode não acompanhar os detalhes da guerra, mas sente seus efeitos no posto de gasolina, no supermercado e nas contas domésticas. A associação entre decisões internacionais e custo de vida é um dos elementos centrais da disputa eleitoral.
A guerra comercial e as tarifas de Trump
A política tarifária de Trump também se tornou um problema eleitoral. O presidente estadunidense ampliou tarifas sobre produtos de adversários e parceiros comerciais dos Estados Unidos.
As medidas atingem diferentes setores e países, incluindo importantes parceiros econômicos. O Tax Policy Center estimou que as tarifas vigentes poderiam representar um custo médio de aproximadamente US$ 920 (cerca de R$ 5 mil) por família americana em 2026.
Algumas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte do país e pelo Tribunal de Comércio Internacional, por questões relacionadas à autoridade do Executivo.
A Casa Branca defende as tarifas como instrumentos de proteção da indústria norte-americana e geração de empregos. Entretanto, consumidores e empresas questionam o aumento dos custos. A questão é particularmente relevante porque o discurso de Trump sobre proteção econômica precisa ser confrontado com o impacto efetivo das medidas no orçamento das famílias.
O conflito na Ucrânia
Outro ponto de tensão é a condução do governo Trump da situação entre Rússia e Ucrânia. Trump praticamente interrompeu a assistência financeira e militar direta dos Estados Unidos a Kiev relacionadas ao conflito com Moscou. Ele também suspendeu sanções sobre exportações russas de diesel e flexibilizou restrições sobre a energia russa.
A pressão norte-americana sobre os ucranianos para interromper ataques contra refinarias russas provocou críticas. Essas decisões também geraram divergências dentro do próprio Partido Republicano.
Somado a isso, o Partido Democrata, favorável ao apoio a Kiev, pode questionar a aproximação de Trump com Moscou e a redução do apoio à Ucrânia. Caso os democratas conquistem maioria no Congresso, poderão tentar aprovar novos pacotes de assistência militar e financeira a Kiev.
Israel, Gaza e a assistência militar norte-americana
A guerra em Gaza, as mortes de civis palestinos e a violência na Cisjordânia ocupada ampliaram a oposição ao apoio militar norte-americano a Israel.
Neste ano, quase metade dos deputados democratas da Câmara dos Representantes votou a favor de uma iniciativa para interromper a assistência militar a Israel. Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia tentar limitar ou até interromper parte da assistência militar a Israel, criando um novo embate com a Casa Branca.
O tema também evidencia divisões dentro do eleitorado democrata e entre parlamentares sobre a política norte-americana para o Oriente Médio.