ASTRONOMIA

Estrela companheira de Betelgeuse muda atmosfera da supergigante

Observações revelam como Siwarha influencia a forma e brilho da estrela Betelgeuse durante sua órbita.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 02/11/2026 às 12:28
Estrela Siwarha atravessa a atmosfera da supergigante Betelgeuse, provocando alterações em seu brilho. © Foto / NSF/AUI/NSF NRAO/M. Weiss

Novas observações revelaram que a estrela Betelgeuse abriga um fenômeno incomum provocado por sua companheira estelar, Siwarha. A pequena estrela orbita tão próxima da supergigante vermelha que atravessa sua extensa atmosfera, produzindo um efeito comparado ao rastro deixado por uma lancha sobre a água.

Betelgeuse, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra na constelação de Órion, tem seu nome derivado de uma expressão árabe que significa "a mão de al-Jawza", um antigo termo árabe associado a uma figura celeste. Em referência a isso, os cientistas batizaram sua companheira de Siwarha, termo que pode ser traduzido como "sua pulseira".

O estudo, liderado por pesquisadores do MIT, utilizou dados coletados entre 2021 e 2026 pelos radiotelescópios Very Large Array, nos Estados Unidos, e ALMA, no Chile. As observações mostraram que a atmosfera de Betelgeuse muda de forma conforme a posição de Siwarha em sua órbita.

Segundo os cientistas, a atmosfera da supergigante assume um formato mais oval quando a companheira está mais distante e se torna mais arredondada quando ela passa à frente ou atrás da estrela. Embora Siwarha seja fraca demais para ser detectada diretamente por rádio, sua influência pode ser identificada pelas alterações provocadas na estrela principal.

Os dados também indicam que Betelgeuse se recuperou em grande parte do chamado "Grande Escurecimento", observado em 2020, quando sua luminosidade caiu ao menor nível em mais de um século após uma enorme ejeção de gás e poeira. A estrela também apresenta um ciclo de variação de brilho de cerca de 2.100 dias, um dos mistérios que motivaram a busca por uma companheira próxima.

Os pesquisadores avaliam que novas observações vão ser necessárias para acompanhar uma parcela maior da órbita de Siwarha e confirmar os efeitos detectados, especialmente com o telescópio Next Generation Very Large Array, quando será possível monitorar de forma mais detalhada e compreender como estrelas supergigantes perdem matéria no fim de suas vidas e como companheiras próximas influenciam esse processo.