Eleições de meio de mandato dos EUA e seu impacto na economia
A disputa eleitoral pode redefinir o controle do Congresso e afetar a agenda econômica de Donald Trump.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem alterar significativamente o cenário político em Washington e afetar a agenda econômica do presidente Donald Trump. Embora o mandato presidencial não esteja em disputa, o controle do Congresso será redefinido, com a renovação de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 das 100 vagas do Senado.
O resultado poderá determinar quanto espaço o governo terá para aprovar medidas relacionadas a gastos públicos, impostos, regulação econômica e comércio exterior.
Segundo um portal de notícias brasileiro, as projeções indicam um ambiente desfavorável aos republicanos com estimativa de 239 cadeiras democratas contra 196 dos republicanos. No Senado, a disputa é mais equilibrada, mas os democratas também aparecem à frente, com projeção de 51 das 100 vagas, aponta a apuração.
Economistas consultados pela mídia atribuem parte desse desgaste da popularidade de Donald Trump ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos, especialmente dos combustíveis. A gasolina permanece acima de US$ 4,00 (R$ 21,77) por galão e o diesel supera US$ 6,00 (R$ 32,65), fatores que ampliaram a insatisfação dos eleitores. Para analistas, a retomada de pelo menos uma das Casas pelos democratas já seria suficiente para impor obstáculos à agenda legislativa da Casa Branca nos dois anos seguintes.
Uma eventual "onda azul", expressão usada para descrever a conquista simultânea da Câmara e do Senado pelos democratas, ampliaria significativamente o poder da oposição. Nesse cenário, os democratas passariam a controlar a pauta legislativa, comandar comissões de fiscalização e exercer maior influência sobre a confirmação de indicados do governo para instituições estratégicas, como a Reserva Federal (Fed) e a Suprema Corte. Além disso, aumentariam as condições para investigações e confrontos políticos com o Executivo.
Mesmo um resultado mais limitado, com os democratas assumindo apenas a Câmara, já reduziria a capacidade de Trump de aprovar projetos e obter recursos para suas prioridades.
Os mercados acompanham a disputa de perto porque as decisões do Congresso influenciam a trajetória fiscal dos Estados Unidos. Um Congresso alinhado a Trump poderia facilitar cortes de impostos, medidas de desregulamentação e políticas comerciais mais agressivas. Caso essas iniciativas ampliem o déficit público, poderiam elevar as pressões inflacionárias e os juros de longo prazo norte-americanos, fortalecendo o dólar e aumentando a atratividade dos títulos do Tesouro dos EUA para investidores globais.
Para o Brasil, os efeitos seriam sentidos principalmente por meio do câmbio e dos fluxos financeiros. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a atrair capitais hoje destinados a mercados emergentes, reduzindo a entrada de recursos no país.
Esse movimento normalmente pressiona a cotação do dólar, eleva as taxas de juros futuras no país e encarece o crédito para empresas e consumidores. Por outro lado, uma vitória democrata poderia limitar novas iniciativas de expansão fiscal, aliviar a pressão sobre os juros norte-americanos e tornar mercados emergentes mais atraentes para investidores.
Outro fator que preocupa o mercado é a relação entre Trump e o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo analistas consultados pela apuração, a combinação de um eventual fortalecimento republicano com uma relação política mais tensa entre Washington e Brasília pode aumentar o risco de novos atritos comerciais.
Entretanto, ainda que o Congresso influencie parte desse processo, Trump continua dispondo de instrumentos legais para impor tarifas sobre produtos estrangeiros, mantendo um elemento adicional de incerteza para a economia brasileira.