POLÍTICA

Trump anuncia investimento de US$ 15 bilhões para apoiar agricultores americanos

Medidas visam fortalecer eleitorado rural em ano de eleição de meio de mandato nos EUA.

Por AP Publicado em 01/11/2026 às 13:41
Donald Trump © AP Photo / Paul Sancya

O governo do presidente Donald Trump anunciou um pacote de investimentos de US$ 15 bilhões voltado para produtores agrícolas, motivado pelas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, onde há preocupação com a manutenção do controle republicano no Congresso. As medidas incluem a compensação dos custos de diesel e fertilizantes.

A estratégia tem como objetivo encorajar o comparecimento às urnas em estados agrícolas, tradicionais redutos republicanos que estão se tornando vulneráveis. Trump intensificou suas visitas a áreas rurais, incluindo o Iowa e o Kansas, nas últimas semanas.

Além dos US$ 15 bilhões destinados aos agricultores, a administração também planeja US$ 13,8 bilhões para cobrir prejuízos de safra anterior relacionados a produtos como milho, soja, trigo e arroz.

Do total de US$ 15 bilhões, mais da metade será usada para compensar custos de diesel. Segundo Gregg Ibendahl, especialista em gestão agrícola da Universidade Estadual do Kansas, o investimento é "mais do que suficiente" para atender as demandas de combustíveis e ainda ajudar com os elevados custos de fertilizantes.

Entre as novas medidas, foram anunciados ao menos US$ 5 bilhões em empréstimos garantidos para pecuaristas e pescadores. Outros US$ 1,8 bilhão serão direcionados a proprietários de terras que participam de programas de conservação, enquanto US$ 573 milhões são voltados para projetos de fabricação de fertilizantes e US$ 57 milhões para expandir frigoríficos. Já para produtores de culturas especiais, US$ 86,6 milhões em subsídios serão dados a projetos inovadores.

O ano atual é particularmente desafiador para os agricultores americanos, devido ao aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis, que têm pressionado suas margens de lucro. Além disso, a política econômica de Trump, como as tarifas elevadas, impactou negativamente o setor, e a guerra comercial com a China resultou em um quase boicote aos produtos agrícolas dos EUA.

Na sexta-feira, 30 de outubro, o preço médio do diesel era de US$ 6,32 por galão, representando um aumento de 70% em relação ao ano anterior.

“Esse risco relacionado aos insumos, acredito, é o que realmente prejudicou os agricultores este ano, além do fato de que tem havido muito mais incerteza sobre o que vai acontecer no mundo”, afirmou Gregg Ibendahl.

Para o especialista, o pacote de Trump para agricultores pode oferecer alívio imediato, mas não resolve os problemas estruturais do setor. “É difícil ir ao seu credor na próxima primavera e dizer: bem, as coisas estão indo muito bem esse ano, mas tudo isso se deve a esses pagamentos extras do governo”, acrescentou.

Alexandra Middlewood, professora associada de ciências políticas da Universidade Estadual de Wichita, relatou que os agricultores têm reações mistas: embora estejam satisfeitos com a sobrevivência dos seus negócios, veem esses programas como assistências pontuais, não como soluções a longo prazo.

Os eleitores rurais, incluindo agricultores e aqueles que dependem da economia agrícola, são considerados essenciais para Trump. Michael Smith, professor de ciências políticas da Emporia State University, observou que, apesar da popularidade individual do presidente entre os rurais, suas políticas têm causado embaraços ao setor agrícola, como a redução da mão de obra devido a deportações e cortes nos programas de assistência alimentar.

“Algumas pessoas que admiram Trump, na verdade, apenas admiram a pessoa, o homem”, disse o professor. “Mas isso não significa que necessariamente gostem de suas políticas. Bem, o próprio Trump não está na cédula eleitoral este ano. Suas políticas é que estão.”