Celebrando 20 anos do Sacisaurus, descubra os destaques paleontológicos do Brasil
Fóssil mais antigo das Américas e o maior felino do continente estão entre as descobertas brasileiras.
Em 1º de novembro de 2006, paleontólogos brasileiros apresentaram ao mundo o Sacisaurus agudoensis, um dinossauro quadrúpede vegetariano que habitou há mais de 220 milhões de anos a região onde hoje está o Rio Grande do Sul. Sem fósseis da perna esquerda, os cientistas decidiram nomeá-lo em alusão à figura folclórica brasileira Saci-Pererê.
Segundo o Jornal da USP, 54 espécies de dinossauro diferentes foram encontradas no Brasil ao longo dos anos. No entanto, o país possui fósseis de outras espécies, inclusive de humanos, que têm enorme relevância paleontológica.
A Sputnik Brasil apresenta nesta lista algumas das principais descobertas feitas no território brasileiro e suas respectivas importâncias para a paleontologia mundial.
Dinossauros
Quando se fala em fóssil, a primeira coisa que vem na cabeça da maioria das pessoas são os dinossauros. A região na divisa do Brasil com a Argentina, por sua vez, concentra uma grande quantidade dos fósseis mais antigos já encontrados no planeta. Ainda na época da Pangeia — quando não havia uma divisão de continentes por grandes quantidades de água —, os animais agora extintos teriam se deslocado do sul de onde hoje são as Américas até a área da Europa.
Os pesquisadores estimam que os Sacisaurus, por exemplo, tenham vivido há 225 milhões de anos, no período Triássico. O animal é considerado um réptil pré-histórico de pernas longas e fortes, o que tornaria esse quadrúpede veloz.
Mais jovem, o Ubirajara jubatus viveu há 110 milhões de anos, já no período Cretáceo. Com penas longas, o dinossauro do tipo terópode compsognatídeo utilizava sua penugem para atrair companheiras e afastar rivais. Encontrado em uma pedreira de giz no interior do Ceará, cientistas brasileiros tiveram que lutar com autoridades alemãs para repatriar o fóssil.
Ainda do período Cretáceo, o Maxakalisaurus é um gênero de dinossauro herbívoro que podia chegar a 13 metros de comprimento e 6 metros de altura e pesar até 9 toneladas. Considerado um dos maiores dinossauros do Brasil, uma réplica de seu esqueleto estava exposta no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, mas foi destruída durante o incêndio de setembro de 2018.
No entanto, dentre os gigantes brasileiros, nenhum supera o mineiro Uberabatitan ribeiroi, um herbívoro de 26 metros de comprimento. Já entre os carnívoros, o maranhense nadador Oxalaia quilombensis, de 14 metros, rivaliza com dinossauros famosos, como o Tiranossauro rex.
Mamíferos
Não é apenas de dinossauros que vivem os fósseis brasileiros. O famoso tigre-dente-de-sabre, por exemplo, teve ossos encontrados em Lagoa Santa, Minas Gerais, em 1839. Também há registros deste animal em outros estados, como Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Sergipe, além do Distrito Federal. Considerado um dos felinos mais pesados da história, o tigre-dente-de-sabre podia ultrapassar os 500 kg.
As preguiças, conhecidas por serem animais lentos que vivem pelas árvores, já foram gigantes e habitaram o território do Brasil antes de serem extintas. Os primeiros esqueletos de preguiça terrícola foram localizados em Cordisburgo (MG), em 1835. De lá para cá, outras 13 espécies de preguiças-gigantes foram identificadas por paleontólogos, a maioria no Cerrado.
Bem mais jovem que qualquer dinossauro, o mastodonte habitava o território brasileiro até 10 mil anos atrás. Parente de elefantes e mamutes, ele tinha cerca de 4 metros de comprimento e de altura, pesando até 5 toneladas. Fósseis do animal foram encontrados em estados como Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, mostrando que o mastodonte brasileiro se adaptou aos diferentes tipos de clima da enorme área ocupada pelo Brasil.
Humanos
Os fósseis humanos existem aos montes pelo mundo, mas, nas Américas, coube ao Brasil a descoberta de Luzia, o fóssil humano americano mais antigo já encontrado. Escavações em Pedro Leopoldo (MG), região metropolitana de Belo Horizonte, em 1975, levaram à localização do crânio e de ossos dos braços, da bacia e das pernas de uma mulher que viveu entre 11.200 e 11.700 anos.
Cientistas apontam que Luzia tem traços similares aos dos aborígenes australianos e aos dos negros da África. A principal hipótese é de que os humanos chegaram às Américas a partir do estreito de Bering durante a última idade do gelo.
Luzia estava exposta no Museu Nacional durante o incêndio de setembro de 2018. Pouco mais de um mês após o desastre, a equipe do local afirmou ter recuperado cerca de 80% dos ossos creditados ao fóssil. Quase 10 anos após o incêndio, Luzia ainda não está exposta ao público.