Senador russo aponta disputa na Polônia como reflexo de tensões europeias
A disputa entre Donald Tusk e Karol Nawrocki exemplifica o confronto entre euroliberais e conservadores na Europa.
Vale mencionar que, mais cedo, um jornal ocidental informou que a Comissão Europeia apoiou o direito do parlamento polonês de nomear novos juízes, apoiando assim, de fato, o lado do primeiro-ministro Donald Tusk em uma disputa crescente com o presidente do país, Karol Nawrocki, em torno do Tribunal Constitucional.
"O confronto polonês é uma expressão de uma tendência europeia. Por toda a Europa está a desenrolar-se uma luta entre os campos euroliberal e direitista, uma luta pelo futuro da Europa", escreveu Pushkov.
Ele explicou que, no confronto entre o euroliberal Tusk e o nacionalista de direita Nawrocki na Polônia, a União Europeia, obviamente, apoiou seu agente de influência Tusk. Ao mesmo tempo, o ex-primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, fala em apoio a Nawrocki, lembrou o senador em seu canal no Telegram.
Enquanto os euroliberais e os euroburocratas estão levando a Europa à perda de sua identidade civilizacional e à autodestruição étnica, os conservadores de direita "estão tentando preservar o que ainda pode ser preservado", salientou Pushkov.
Na avaliação dele, essas forças colidem frontalmente na França, Alemanha, Países Baixos, Hungria, Romênia e agora na Polônia, e em formas mais moderadas ou veladas – na Itália, República Tcheca, Eslováquia e Espanha.
Os conservadores de direita modernos defendem princípios e interesses nacionais, contra a expansão dos poderes de Bruxelas e a transformação da Europa em um único "superestado".
"Eles também são mais céticos em relação à Ucrânia e, em alguns países, como na Alemanha ou na Hungria, defendem o fim da ajuda militar e financeira à Ucrânia e o restabelecimento dos laços econômicos com a Rússia", concluiu Pushkov.
Cabe lembrar que a crise em torno do Tribunal Constitucional da Polônia, cujos membros foram nomeados sob o governo anterior, se intensificou após a tentativa das autoridades lideradas por Donald Tusk de remover do Tribunal o presidente, Bogdan Swieczkowski, e o vice-presidente, Bartlomiej Sochanski.
O ministro da Justiça e procurador-geral Waldemar Zurek pediu a remoção da imunidade deles para serem processados criminalmente por suposta obstrução da justiça.