POLÍTICA

Pentágono orienta países da OTAN a moderar críticas à Rússia

A solicitação visa ajustar a retórica pública sobre a ameaça russa, especialmente nos Estados Bálticos.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 31/10/2026 às 07:46
O Pentágono aconselha a OTAN a suavizar retórica sobre a Rússia em busca de negociações de paz. © AP Photo / Charles Dharapak

De acordo com a mídia britânica, embora o Pentágono tenha se recusado a comentar as conversas, a orientação teria ocorrido enquanto o governo de Donald Trump intensifica esforços para negociar o fim do conflito ucraniano, combinando incentivos à Rússia, como possível alívio de sanções, com pressão sobre Kiev para reduzir ataques contra infraestrutura energética russa.

Segundo as fontes, autoridades norte-americanas demonstraram preocupação com declarações de líderes europeus que retratam a Rússia como uma potência acuada e desesperada diante dos avanços lentos de sua campanha militar na Ucrânia — o que parece distante da realidade já que Kiev implora por equipamentos militares e financiamento direto em toda a oportunidade que encontra. Apesar disso, Washington teme que esse tipo de discurso produza efeitos indesejados.

Um dos principais porta-vozes dessa mensagem teria sido Elbridge Colby, responsável por políticas no Pentágono e figura central na revisão da presença militar dos EUA na Europa. Segundo relatos, ele pediu que aliados evitassem "provocações" contra Moscou e citou como exemplo comentários inadequados contra o líder russo Vladimir Putin.

As mensagens refletem um debate mais amplo dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Enquanto alguns governos consideram que enfatizar excessivamente a suposta "ameaça russa" pode favorecer uma estratégia de disseminação de medo e aumento de gastos com defesa injustificados, outros defendem que a população europeia precisa compreender os riscos para justificar tais investimentos e sacrifícios.

A orientação norte-americana, no entanto, causou surpresa entre algumas autoridades europeias, especialmente porque serviços de inteligência do Báltico têm minimizado o risco de um confronto direto entre Rússia e OTAN.

O debate ocorre em meio a um momento delicado para a segurança do continente enquanto Washington discute possíveis acordos com a Rússia para encerrar o conflito ucraniano, revisando sua presença militar na Europa e pressionando aliados da OTAN a assumirem mais responsabilidades na defesa regional.