Encontro entre Mauro Vieira e Marco Rubio é agendado em meio a tensões Brasil-EUA
O chanceler brasileiro e o secretário de Estado dos EUA definiram nova reunião antes do G20 em dezembro.
Vieira e Rúbio conversaram durante o evento e combinaram uma nova rodada de negociações, com data e local a serem definidos posteriormente. A reunião vai acontecer em meio à contínua tensão diplomática entre Brasília e Washington, após a presidente norte-americano, Donald Trump, evitar reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras e voltar a questionar o resultado do pleito.
Na última quinta (29), Trump classificou a eleição brasileira como uma "vergonha", mas afirmou que pretende parabenizar Lula pela reeleição. Questionado sobre quem venceu a disputa, o presidente dos EUA evitou responder e disse que não queria comentar o assunto naquele momento.
Um dia antes, Trump havia afirmado que não pretendia se envolver na situação política brasileira, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas eleições e que fugiu para o país, divulgar uma carta em que se autoproclamava "presidente eleito". Minutos depois, ele apagou o texto e publicou uma nova versão, na qual passou a se apresentar como "líder do Brasil".
Em declarações anteriores, Trump havia afirmado que a família Bolsonaro foi "tratada de forma injusta no Brasil" e considerado a eleição "muito estranha".
Aliados de Flávio afirmaram que o senador deixou o país rumo à Argentina e, depois, seguiu para Miami. O advogado mexicano Simón Levy, aliado de Trump, declarou que Flávio havia desembarcado em território norte-americano e atribuiu a Rubio a articulação de sua saída.
Entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA gera críticas
A entrada do senador nos Estados Unidos provocou críticas de parlamentares democratas ao governo Trump. O grupo destacou que Flávio é alvo de investigações no Brasil e apontaram contradições entre sua acolhida e as políticas migratórias restritivas defendidas pelo presidente republicano.
O deputado Morgan McGarvey afirmou que a administração Trump rejeita a entrada de criminosos no país, "a menos que sejam tão corruptos quanto ele". Já o senador Andy Kim comparou a acolhida de Flávio à restrição imposta a refugiados e imigrantes.
"Trump está basicamente concedendo a Bolsonaro o Status de Proteção Temporária, enquanto o arranca de incontáveis haitianos, afegãos e outros que construíram vidas nos Estados Unidos da América", escreveu nas redes sociais.