POLÍTICA

Michelle Bolsonaro apoia Tarcísio após críticas de aliados

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, anunciou intenção de concorrer em 2030, gerando reação entre apoiadores de Flávio.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 30/10/2026 às 16:06
Michelle Bolsonaro defende Tarcísio de Freitas em meio a críticas de aliados. © Foto / Divulgação / PL Mulher

A senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), defendeu nesta sexta-feira (30) o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos ataques de aliados do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que nesta semana ganhou a companhia do irmão, Flávio, nos Estados Unidos. Sem citar diretamente o enteado, Michelle lembrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou gratidão pelo "empenho e sacrifício que cada um fez em prol da campanha de Flávio".

"Em nossas conversas, o Jair sempre manifesta um carinho e uma gratidão especial a todos os apoiadores que se doaram porque acreditam em um futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros", disse nas redes sociais.

A senadora também afirmou que, após uma nova derrota para o PT na disputa ao Palácio do Planalto, o ex-presidente pediu união à direita e não atribuiu culpados pelo resultado.

"Por outro lado, ele [Jair Bolsonaro] se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos 'culpados' e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como [a senadora] Damares [Alves], Tarcísio [de Freitas], Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito, carinho e gratidão", acrescentou.

Postura de Flávio gera ruptura no grupo político

Após buscar projetar uma imagem de candidato moderado durante toda a campanha, Flávio mudou completamente o tom depois da derrota. Segundo a mídia, aliados próximos já avaliam que o senador perdeu as "credenciais" para liderar a oposição, diante da fuga para os Estados Unidos e da carta golpista que, em sua primeira versão, chegou a declará-lo presidente eleito do Brasil.

Mesmo no núcleo mais próximo do senador, a avaliação é de que Flávio demonstrou uma mudança radical de postura após perder a eleição por mais de 4,4 milhões de votos para Lula. O próprio PL, assim como o PT, pediu a prorrogação da votação até as 19h em parte do país, devido a problemas climáticos ou no transporte de eleitores. Ainda assim, Flávio usou a situação para evitar reconhecer o resultado.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está entre os críticos das dúvidas levantadas pelo senador sobre o pleito e afirmou que o posicionamento ampliou o desgaste do filho do ex-presidente dentro da legenda. Ao chegar para visitar Jair Bolsonaro, Valdemar foi direto ao comentar o episódio.

"Não gostei. Não gostei", afirmou à imprensa, demonstrando desconforto com o conteúdo divulgado pelo senador.

Na última quarta (28), Flávio desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina, em um roteiro que, segundo a mídia, contou com o apoio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e do presidente Javier Milei.

Na sequência, Flávio ainda divulgou a primeira versão de uma carta, apagada horas depois, na qual se autodeclarava presidente eleito do Brasil e usava o brasão que chama o país de "Estados Unidos do Brazil", denominação que deixou de ser usada em 1967. Em meio à repercussão, o ex-presidenciável divulgou uma nova versão, na qual se denomina líder do Brasil.

"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", afirmou o senador no texto. Na ocasião, Flávio disse que permaneceria nos Estados Unidos para continuar sua atuação política e liderar a oposição brasileira a partir do exterior.