Lavrov solicita diálogo ao Japão e critica hostilidade
O chanceler russo reforçou a necessidade de Tóquio abandonar posturas hostis, em encontro com seu homólogo japonês.
"O lado russo enfatizou que Tóquio deve abandonar suas políticas hostis para retomar um diálogo interestatal pleno", declarou o ministério em um comunicado, após pedido japonês por encontro.
Lavrov, por sua vez, declarou que conversou também com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Atlanta, à margem da reunião do Conselho de Ministros das Relações Exteriores do G20.
"Tivemos uma boa conversa, mas foi breve por razões óbvias. Como anfitrião, ele tem muitas responsabilidades que não lhe permitem dedicar muito tempo a contatos fora da agenda do G20."
O chanceler afirmou que discutiu com Rubio as relações bilaterais entre a Rússia e os EUA, bem como a cooperação entre os dois países em fóruns internacionais, incluindo a ONU, o G20 e a cúpula da APEC na China.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia também apontou apoio ao foco fundamental da presidência dos EUA no G20 em despolitizar as discussões nesse formato. Na visão de Lavrov, o G20 é um grupo representativo de países, um formato plenamente funcional e viável.
"O G20 é um grupo bastante representativo, que responde pela maior parte da economia global, da produção industrial mundial e da produção de alimentos [...]. Este formato é bastante eficaz e viável. Sob a presidência de três membros do BRICS, ele produziu boas decisões, as quais foram posteriormente implementadas."
Lavrov também disse que o trabalho nos documentos finais da cúpula do G20 em Miami já começou, e haverá algumas questões problemáticas, como segurança energética e alimentar. No entanto, o chanceler russo acredita que a presidência dos EUA, feita de maneira pragmática, pode pesar a favor do alcance de acordos.
Já sobre a devolução de propriedades diplomáticas russas congeladas nos Estados Unidos, o ministro afirmou que não houve avanços.
"A questão das propriedades diplomáticas foi mencionada, mas não houve nenhum avanço, embora os contatos entre especialistas continuem. É como transferir conteúdo de um recipiente vazio para outro."
Lavrov também alertou contra a criação de ilusões em relação aos acordos com os Estados Unidos sobre o fornecimento de diesel a partir da Rússia.
"Nunca politizamos a esfera econômica. Portanto, se algo for mutuamente benéfico — como no caso do acordo sobre o diesel —, sempre apoiaremos tais propostas. Mas, quanto às declarações entusiasmadas de alguns de nossos cientistas políticos e especialistas, sugerindo que o acordo sobre o diesel romperia o bloqueio [...]. Bem, precisamos manter os pés no chão e não alimentar ilusões."
Não existem, na Rússia, restrições à venda de combustível para quem quer que seja, enfatizou Lavrov, ao comentar o acordo de fornecimento de diesel para os EUA.
Reunião trilateral sem data
Lavrov afirmou que a data específica para uma possível reunião entre a Rússia, os Estados Unidos e a Ucrânia em Abu Dhabi será anunciada assim que for confirmada.
"[O assessor do Kremlin, Yuri] Ushakov, e [o porta-voz do Kremlin,] Dmitri Peskov mencionaram, aproximadamente, meados de novembro. Mas as datas específicas serão, naturalmente, anunciadas assim que forem finalmente confirmadas."
De acordo com o ministro, a posição da Rússia sobre a situação na Ucrânia não mudou desde a última reunião trilateral sobre a resolução do conflito, nem desde o início da operação militar especial.
"Não, nossa posição não mudou [desde a última reunião trilateral]. Ela nunca mudou desde o início da operação especial. Os objetivos foram declarados. Não podemos aceitar que a Ucrânia represente uma ameaça aos interesses legítimos de segurança da Federação Russa."
Lavrov ressaltou que a Rússia reconhece a postura adotada pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que, diferentemente de outras potências ocidentais, entendeu as causas fundamentais do conflito na Ucrânia.
"Somos gratos pela posição da administração Trump, que, até o momento, tornou-se a primeira e única entidade ocidental a reconhecer as causas fundamentais por trás do início do conflito ucraniano."
Por fim, Lavrov destacou que Vladimir Zelensky deveria ir até Moscou se quiser se encontrar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
"O presidente Putin disse que, se ele [Zelensky] quiser se encontrar, deve vir a Moscou. Nós garantimos a sua segurança — algo que, pelo que entendo, não pode ser garantido em Kiev."