Trabalhadores portuários protestam contra envio de armas e condições de trabalho
Sindicatos de várias nações se uniram em uma mobilização mundial contra a militarização dos portos.
Trabalhadores portuários da Europa e de outras regiões do mundo realizaram greves nesta sexta-feira, 30, como parte de uma mobilização internacional contra o transporte de armamentos e por melhores condições de trabalho, segundo sindicatos.
Entidades sindicais da França, Itália, Grécia, Espanha, Turquia e Marrocos divulgaram um apelo conjunto pelo fim das guerras no Oriente Médio, incluindo o conflito na Faixa de Gaza, e pelo fim da militarização dos portos.
“Os portos não devem ser utilizados para o transporte de armas, munições, equipamentos militares e tropas. Os trabalhadores portuários não trabalham para a guerra!”, afirma o comunicado.
Os organizadores disseram que mais de 100 portos em diversos países aderiram aos protestos, com potencial para afetar as operações na Europa, na região do Mediterrâneo e na América do Norte.
Na Grécia, sindicatos de trabalhadores portuários convocaram uma greve no porto de Pireu, o maior do país. Uma paralisação separada de trabalhadores marítimos, motivada por reivindicações salariais e por melhores condições de trabalho e segurança, manteve embarcações atracadas em diversos portos e prejudicou os serviços de balsas.
“Não queremos participar de nenhuma guerra, em nenhuma parte do mundo. Não queremos que nossos portos sejam centros de distribuição de material militar transportado para matar pessoas”, afirmou Giorgos Gogos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Autoridade Portuária de Pireu.
Na Turquia, manifestantes se reuniram em frente ao porto de Haydarpasa, em Istambul, sob uma faixa com os dizeres: “Não à guerra, não ao armamentismo!”.
Na Itália, estavam previstas manifestações em importantes portos, como Gênova, Trieste e Gioia Tauro, em paralelo a uma greve geral nacional, segundo o sindicato Unione Sindacale di Base (USB). A greve geral, porém, provocou menos transtornos ao transporte do que o esperado, depois que o governo determinou o retorno dos trabalhadores do setor às atividades.
Na França, a federação de portos e docas da Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou uma paralisação de um dia nos principais portos do país, incluindo Le Havre, Marselha, Dunquerque e Rouen. A entidade se opõe ao que classifica como “militarização das instalações portuárias”, no âmbito das políticas europeias e das propostas orçamentárias do governo francês, que, segundo o sindicato, ameaçam a proteção social.
A dimensão dos impactos da mobilização ainda não estava clara. Os organizadores informaram que a adesão poderia variar entre paralisações durante todo o dia, interrupções de menor duração e manifestações.
A empresa de gestão de cadeias de suprimentos C.H. Robinson alertou clientes sobre possíveis interrupções operacionais e atrasos nas remessas, com impactos variáveis conforme o porto, o terminal e o nível de adesão à greve.
Especialistas, porém, esperavam efeitos limitados sobre as cadeias globais de abastecimento.
Marcus Baker, diretor global de transporte marítimo, cargas e logística da Marsh, corretora de seguros e consultoria de riscos, afirmou que uma greve de 24 horas dificilmente provocaria impactos significativos no comércio global, embora pudesse afetar o transporte de produtos perecíveis e cargas com prazos de entrega mais restritos.
*Com tradução de Gláucia Campos, especial para a Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).