INDÚSTRIA

Fiesp indica recuo na atividade industrial e projetam queda para 2026

Produção deve sofrer redução de 0,4% na indústria de transformação no próximo ano.

Por Meg Lopes, especial para AE Publicado em 30/10/2026 às 16:48
Fiesp indica recuo na atividade industrial e projetam queda para 2026

Segundo o Levantamento de Conjuntura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o terceiro trimestre do ano foi negativo para a indústria, com resultados que amparam a visão da entidade de um final de ano de desaceleração da atividade industrial do país. A entidade projeta queda de 0,4% da produção da indústria de transformação brasileira em 2026, com riscos ao desempenho do setor em 2027.

No trimestre, os salários reais médios caíram 1,1%, as horas trabalhadas na produção, 0,4%, e as vendas reais recuaram 0,2%, interrompendo dois trimestres de alta (+9,4% e +2,7%). As horas trabalhadas reduziram pelo sexto trimestre seguido.

Em setembro, as vendas subiram 0,4% e os salários apresentaram leve avanço de 0,1%, enquanto as horas trabalhadas caíram 0,4% no mês, em queda constante do nível desde os últimos meses de 2025. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou de 78,5% em agosto para 78,2% em setembro, resultado abaixo da média dos últimos três anos (78,7%) e em movimento de redução desde junho quando atingiu exatamente 78,7%.

Entre os entraves, a Fiesp cita a Selic elevada, as sobretaxas dos EUA aos produtos brasileiros, de 37,5% para a maioria dos itens não isentos, e os custos de matérias-primas, sobretudo dos insumos derivados de petróleo, por causa da guerra no Oriente Médio.

A demanda interna segue frágil, aponta a Federação, pressionada pelo comprometimento da renda e pela inadimplência das famílias. O comprometimento atingiu 28,9% da renda anual, e a inadimplência de pessoas físicas no crédito livre chegou a 7,6%, o maior patamar em 13 anos.