Divisão na sociedade israelense reflete apoio a Netanyahu, afirmam especialistas
Bloco de Netanyahu conquista 53 cadeiras, enquanto partidos árabes atingem votação histórica.
Divisão na sociedade israelense reflete apoio a Netanyahu, afirmam especialistas
O bloco do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, somou 53 cadeiras nas eleições, longe das 61 necessárias; partidos árabes, por sua vez, alcançaram votação histórica e podem ser o fiel da balança. Para especialistas, o cenário mais provável é de longa negociação, ou até mesmo novas eleições.
Em entrevistas ao podcast internacional da Sputnik Brasil, as professoras Karina Calandrin, do Ibmec, e Denilde Holzhacker, da ESPM, explicam: o eleitorado israelense está fragmentado e o desgaste de Netanyahu é real. Além disso, existe um núcleo duro de apoio que resiste à guerra em Gaza, às críticas sobre as falhas de segurança de 7 de outubro e à crise econômica, o que pode favorecer o ex-general Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu.
Ambas as analistas ressaltam que a diferença entre os dois não está tanto no conteúdo. "É tudo direita, só que é direita pró-Netanyahu ou direita anti-Netanyahu", reforça a professora do Ibmec.
Com nenhum dos blocos perto da maioria, a formação do governo promete ser difícil. Holzhacker lembra que períodos de negociação são comuns em sistemas parlamentaristas, mas admite que há risco de novas eleições, o que manteria Netanyahu como chefe de governo provisório.
Calandrin, por sua vez, diz que ele deve usar todos os instrumentos disponíveis, inclusive, ao citar a mídia, a analista lembrou que o premiê ligou para líderes árabes para que não se aliem à oposição, não para conquistar o apoio deles, mas para forçar uma nova eleição.
Em sua avaliação, a sociedade israelense está dividida menos por temas como religião ou segurança, embora essas fraturas existam, e mais pelo apoio ou rejeição à figura de Netanyahu. Há consenso de que o Irã representa uma ameaça, mas cresce a desconfiança sobre se a decisão de entrar em guerra junto com os EUA foi motivada por segurança ou por cálculo pessoal do premiê.