Audiência sobre morte de esteticista em comunidade terapêutica é adiada para dezembro
Sessão foi suspensa após ausência dos réus, que estão presos preventivamente; laudo apontou traumatismos cranianos, intoxicação medicamentosa e múltiplas lesões no corpo da vítima
A audiência de instrução do processo que investiga a morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna foi adiada para o dia 4 de dezembro. A sessão estava prevista para esta quinta-feira (29), mas acabou suspensa após a ausência dos dois réus, que estão presos preventivamente.
A audiência chegou a ser aberta pela juíza Fabíola Melo Feijão, mas não teve continuidade. Informações extraoficiais apontam que não havia recursos disponíveis naquele momento para viabilizar a participação dos acusados por videoconferência. A justificativa, no entanto, não foi confirmada oficialmente.
A Justiça também determinou que as testemunhas sejam ouvidas presencialmente.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) atua no processo por meio do promotor de Justiça Adriano Jorge. Já a assistência de acusação é representada pelo advogado Napoleão Lima Júnior.
Laudo apontou intoxicação medicamentosa
Cláudia Pollyanne morreu em 9 de agosto de 2025, após passar pela comunidade terapêutica Luz e Vida, localizada em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió.
O laudo cadavérico apontou que a morte foi provocada por insuficiência respiratória aguda, associada a traumatismos cranianos e intoxicação medicamentosa. A perícia também identificou diversas lesões pelo corpo da esteticista, em diferentes fases de evolução.
Os exames toxicológicos detectaram várias substâncias medicamentosas no organismo da vítima. Entre elas estava a carbamazepina, encontrada em concentração superior ao nível de referência tóxica.
Durante as investigações, peritos utilizaram luminol para verificar a possível presença de vestígios de sangue no imóvel onde funcionava a instituição. O produto apresentou reações positivas em pisos e paredes de diferentes cômodos, incluindo áreas dos alojamentos masculino e feminino.
Amostras do material identificado foram recolhidas para a realização de exames de DNA, com o objetivo de determinar sua origem.
Responsáveis pela instituição estão presos
Maurício Anchieta de Souza e Jéssica da Conceição Vilela, apontados como responsáveis pela comunidade terapêutica, estão presos preventivamente por determinação judicial.
Além do processo que apura a morte de Cláudia Pollyanne, os dois também respondem a outra ação judicial que envolve denúncias de estupro, tortura e outros crimes contra pessoas acolhidas na instituição.
O caso também foi marcado por divergências entre a defesa dos acusados e pessoas próximas à vítima. Em abril deste ano, uma comissão formada por amigos de Cláudia contestou declarações da defesa e negou ter induzido o Ministério Público ao erro.
Com o adiamento, a audiência de instrução deverá ser retomada em 4 de dezembro. Essa etapa processual é destinada à coleta de depoimentos, à oitiva de testemunhas e à análise das provas que poderão subsidiar a decisão judicial sobre o caso.