ECONOMIA

Consumo nos lares brasileiros cresce 2,70% até setembro, aponta Abras

Alta no consumo acumulado reflete estabilidade em relação ao mês anterior, com leve crescimento em setembro.

Por Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil Publicado em 29/10/2026 às 13:34
Crescimento de 2,70% no consumo domiciliar brasileiro até setembro, aponta Abras.

O consumo nos lares brasileiros acumulou alta de 2,70% no período de janeiro a setembro, conforme balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Este percentual mostra estabilidade, considerando os 2,71% registrados até agosto.

Em setembro, houve um aumento de 0,59% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Na comparação mensal, o consumo sofreu uma queda de 1,46%, após dois meses consecutivos de crescimento (3,01% em julho e 2,21% em agosto). O relatório também apontou reduções de 1,30% em setembro de 2024 e de 0,94% em 2025.

Os dados foram ajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE e abrangem todos os formatos de supermercados, desde pequenos estabelecimentos a grandes redes.

Trajetória

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, comentou que o consumo mantém uma trajetória positiva ao longo do ano, apesar das dificuldades que as famílias enfrentam para equilibrar o abastecimento com compromissos orçamentários. “O resultado acumulado até setembro mostra a continuidade desse movimento”, afirmou.

Ele destacou ainda que indicadores do mercado de trabalho permanecem favoráveis, sendo um impulso para o consumo, com taxa de desocupação em 5,3% no trimestre encerrado em agosto e 103,5 milhões de pessoas empregadas, um recorde histórico.

“O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777, uma alta de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 385,6 bilhões, também um recorde, com um avanço de 4,8% na comparação anual, ou seja, R$ 17,5 bilhões a mais”, disse.

Milan mencionou o Bolsa Família, que distribuiu R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias em setembro, e os R$ 3,22 bilhões que o Conselho da Justiça Federal liberou para os Tribunais Regionais Federais, abrangendo mais de 278 mil beneficiários, além de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.

Reeleição

Ele também ressaltou que uma das conquistas do governo atual foi a isenção de impostos sobre uma gama maior de produtos da cesta básica, incluindo proteínas como carne, frango e peixe, o que deve contribuir para a manutenção do consumo.

“Entretanto, estamos preocupados com possíveis novas taxas de impostos que possam ser anunciadas no início da nova gestão, pois podem afetar outros itens essenciais na cesta de alimentos e o consumo em geral. Também nos preocupa o endividamento das famílias e as ações do governo nesse contexto”, declarou.

Milan enfatizou a necessidade de manter a proibição das 'bets', que auxiliaram o aumento do consumo. Dados da entidade mostram que as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre 05 e 11 de outubro de 2026, e 6,3% entre 12 e 18 de outubro de 2026, ambas em comparação ao mesmo período do ano passado.

O vice-presidente da Abras citou ainda a aprovação da nova legislação que altera a escala 6X1 e reduz a jornada de trabalho dos funcionários. Ele observou que os supermercados desempenharam um papel fundamental durante a pandemia, sendo considerados serviços essenciais, mas expressou preocupações sobre como essas mudanças podem impactar a cadeia de abastecimento.