POLÍTICA

Acidente ferroviário na Espanha impacta campanha eleitoral

Tragédia com 69 mortos gera questionamentos sobre segurança nas ferrovias às vésperas das eleições.

Por Redação O Estado de S. Paulo* Publicado em 29/10/2026 às 11:49
Acidente ferroviário na Espanha impacta campanha eleitoral Foto AP/Manu Fernandez.

O acidente ferroviário que deixou ao menos 69 mortos na província de Toledo, no interior da Espanha, na quarta-feira, 28, se converteu em tema da campanha eleitoral a um mês das eleições gerais.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez, que tenta a reeleição, desejava capitalizar uma onda de descontentamento em relação aos altos custos de moradia e aluguéis ao convocar eleições antecipadas para 29 de novembro.

No entanto, ele agora enfrenta questionamentos sobre a segurança das ferrovias, críticas de partidos de direita sobre suas políticas liberais de migração e acusações de corrupção contra seu partido e sua esposa - alegações que ambos negam.

O principal rival de Sánchez, o líder do conservador Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, exigiu uma investigação completa do acidente.

Alejandro Quiroga, professor de ciência política na Universidade Complutense de Madri, afirmou à Associated Press que ainda é cedo para determinar se o acidente mudará a opinião de muitos eleitores.

“Isso não é uma boa notícia para o Partido Socialista, mas talvez não os prejudique tanto, já que, de modo geral, os espanhóis não gostam quando políticos tentam tirar proveito de tragédias”, disse Quiroga. “Isso pode estar mudando, mas, até o momento, não é algo visto de forma positiva.”

Trabalhadores ferroviários realizaram uma greve na quinta-feira - planejada antes do acidente em Urda - para exigir que o governo implemente melhorias na segurança, medidas que, segundo os sindicatos, haviam sido prometidas após a primeira colisão fatal, ocorrida em janeiro.

Líderes sindicais também questionaram o fato de o ministro atribuir toda a responsabilidade a um único controlador e criticaram o vazamento às imprensa das conversas ocorridas na sala de controle.

“O foco não deveria ser se houve ou não um erro humano, mas sim o que há de errado no sistema e quais aspectos precisam ser aprimorados para que, no caso de um erro humano, não cheguemos a uma situação como esta”, afirmou Pepa Páez, do sindicato CCOO.

A Justiça declarou o local do acidente como zona de investigação.

Governo fala em erro humano

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que o acidente foi causado por uma ordem “inexplicável” emitida por uma central de comando ferroviário, após uma falha no sistema de segurança.

Segundo Puente, às 8h30, o sistema de segurança em um trecho da via parou de funcionar devido a uma falha computacional, levando à paralisação de todos os trens que circulavam pelo local. Naquele momento, um trem da operadora IRYO estava parado, enquanto um trem da RENFE encontrava-se 25 quilômetros atrás.

Poucos minutos depois, a central de comando autorizou o trem da RENFE a retomar a marcha, sem restrições de velocidade; resultando na colisão com o trem da IRYO, que estava parado, às 8h53.

Na quinta-feira, a imprensa espanhola divulgou trechos de áudio em que o controlador ordena ao maquinista que coloque o trem em movimento.

Puente declarou que o trem nunca deveria ter recebido autorização para seguir viagem, uma vez que um “sinal de parada” ainda estava ativo na linha. Ele acrescentou que, caso a circulação fosse permitida, o trem deveria ter recebido instruções de transitar em velocidade reduzida.

Buscas continuam

As equipes de resgate continuam em busca de sobreviventes. Conforme o último balanço, o número de mortos chega a 69, com 53 feridos, segundo informações do El País. Foi decretado um período de luto de três dias no país.

Os serviços de emergência, auxiliados por dois guindastes, seguem procurando vítimas entre os escombros dos vagões mais atingidos.

Os cães especializados da Guarda Civil também trabalham na área. “Eles estão percorrendo os trilhos para ver se há algum vestígio biológico, que é a nossa prioridade neste momento”, explicou Pedro Pablo Garrido, porta-voz da Guarda Civil de Toledo.

*Com informações da Associated Press (AP).