ECONOMIA

BCE indica que choque energético pode aumentar inflação na zona do euro

Banco Central Europeu alerta sobre os efeitos prolongados da alta de preços de energia na economia.

Por Pedro Lima e Isabella Pugliese Vellani Publicado em 29/10/2026 às 11:42
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt © ANSA/EPA

O Banco Central Europeu (BCE) alertou nesta quinta-feira, 29, que a maior intensidade e duração do choque nos preços de energia devem elevar a inflação e enfraquecer o crescimento da zona do euro, à medida que efeitos indiretos e de segunda ordem se propagam pela economia.

No comunicado de política monetária, a instituição observou que a alta da energia representa riscos de alta para os preços e de baixa para a atividade.

Apesar da pressão, o BCE ressaltou que a "inflação subjacente permaneceu relativamente estável até o momento" e que os salários ainda não mostraram reação significativa ao encarecimento energético.

O banco ponderou, contudo, que os efeitos completos do choque ainda não se manifestaram.

Em direção oposta, as condições de financiamento ficaram mais restritivas desde a última reunião, movimento que, segundo o BCE, tende a conter tanto a inflação quanto o crescimento. A autoridade reiterou o compromisso de estabilizar a inflação na meta de 2% no médio prazo.

O Conselho do BCE afirmou estar "bem posicionado para lidar com o atual cenário de elevada incerteza" e reafirmou que seguirá dependente dos dados, tomando decisões a cada reunião, sem se comprometer previamente com uma trajetória para os juros. Além das perspectivas de inflação e dos riscos associados, levará em conta a dinâmica dos preços subjacentes e a transmissão da política monetária.

O banco reiterou também que dispõe do Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI) para combater movimentos desordenados e injustificados nos mercados que ameacem a transmissão da política monetária pelo bloco.