ECONOMIA

Queda no consumo das famílias brasileiras em setembro

Dados da Abras mostram recuo de 1,46% em comparação a agosto, mas alta de 0,59% em relação a setembro de 2025.

Por Júlia Pestana Publicado em 29/10/2026 às 11:32
Queda no consumo das famílias brasileiras em setembro Nano Banana (Google Imagen)

O consumo nos lares brasileiros recuou 1,46% em setembro na comparação com agosto, segundo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Apesar da queda mensal, o indicador ainda mostrou alta de 0,59% ante setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o avanço é de 2,70%.

Depois das altas de 3,01% em julho e de 2,21% em agosto, o resultado de setembro foi apresentado pela entidade como um movimento de acomodação.

"A retração de setembro não é um movimento isolado deste ano, embora tenha sido mais intensa do que a observada nos dois anos anteriores", afirmou o vice-presidente da Abras, Márcio Milan. Em setembro de 2024, o consumo havia caído 1,30% ante agosto, enquanto, em igual intervalo de 2025, o recuo foi de 0,94%.

Segundo a Abras, o mercado de trabalho e a renda continuam dando sustentação ao consumo das famílias. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.

A entidade também destacou que houve reforço de recursos em circulação na economia ao longo de setembro. Entre eles, estão R$ 13,04 bilhões em transferências do Bolsa Família para 19,3 milhões de famílias, R$ 3,22 bilhões liberados pelo Conselho da Justiça Federal em requisições de pequeno valor e ações judiciais, além de R$ 1,24 bilhão referente ao último lote regular de restituição do Imposto de Renda.

Por outro lado, a retomada da inflação de alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias. O IPCA subiu 0,82% em setembro, após queda de 0,32% em agosto. No grupo alimentação e bebidas, a alta foi de 0,83%, depois de três meses consecutivos de recuo. Na alimentação no domicílio, o avanço foi de 0,96%.

Cesta

A cesta Abrasmercado, composta por 35 produtos de largo consumo, subiu 1,08% em setembro ante agosto, interrompendo três meses consecutivos de queda. Com isso, o valor médio nacional passou de R$ 837,14 para R$ 846,22. No acumulado do ano, a alta é de 5,73%.

Entre os destaques de alta no mês estiveram o arroz, com avanço de 4,56%, o óleo de soja, com 1,83%, e o açúcar refinado, com 1,11%. Em sentido contrário, o feijão caiu 4,02% e o café torrado e moído recuou 1,09%, ambos pela terceira queda mensal consecutiva.

Nos vegetais frescos, as maiores pressões vieram do tomate, com aumento superior a 37%, da batata, com alta de mais de 24%, e da cebola, com avanço de 10,14%.

Já a cesta de 12 produtos básicos apresentou relativa estabilidade em setembro, com leve alta de 0,12% ante agosto. O valor médio nacional passou de R$ 356,76 para R$ 357,20. No acumulado de janeiro a setembro, a cesta registra avanço de 4,94%.