Os efeitos da guerra dos EUA no Afeganistão e a ascensão do Talibã
Após duas décadas de conflito, o Talibã retoma o poder no país, trazendo à tona questões sobre a eficácia da intervenção militar.
Em 2001, os EUA invadiram o Afeganistão e derrubaram o regime do Talibã, em resposta aos atentados de 11 de setembro, organizados pela Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), que tinha no país seu principal refúgio. Vinte anos depois, e trilhões de dólares gastos na guerra ao longo das duas décadas, os estadunidenses foram embora e o Talibã voltou ao poder.
A internacionalista e professora na ESAMC Laís Cavallin lembrou ao podcast internacional da Sputnik Brasil que o Talibã nunca deixou de existir. O grupo apenas recuou para o vizinho Paquistão e zonas rurais do país após a invasão. Para ela, o grande erro estratégico da intervenção dos EUA foi concentrar os esforços na capital, Cabul, e grandes províncias, ignorando as regiões rurais, que concentram mais de 70% da população.
🪖 Também em entrevista para o Mundioka, o professor de relações internacionais da Unilasalle Marcello Freitas explica que o desfecho evidencia os limites da estratégia americana de impor sua influência por meio da força militar e faz parte de um processo mais amplo de declínio relativo da hegemonia de Washington.
O professor destacou a contradição de investir na destruição e, depois, destinar recursos à reconstrução, enquanto as populações locais permanecem expostas à violência e à precariedade. Para o pesquisador, o caso demonstra que a superioridade militar não é suficiente para garantir influência política duradoura.
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