POLÍTICA

Teresa Leitão aponta desafios para o governo em 2027 e reafirma a importância do diálogo

Senadora lista prioridades e propõe projetos a serem avançados ainda em 2023 durante entrevista.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 28/10/2026 às 19:30
Teresa Leitão fala sobre desafios e prioridades do governo para o próximo ano. © Foto / Mariana Leal

Antes de olhar para o ano que vem, a parlamentar afirma que o governo espera conseguir a aprovação de propostas ainda neste ano. Uma delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (18/2025). Esta, já com parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e com requerimento de calendário especial de tramitação aprovado.

"Na hora que tivermos condições de colocar no plenário, que eu espero que seja na próxima semana, ela será votada", diz a senadora.

Teresa Leitão destaca também o compromisso do governo com a PEC 18/2026, que aplica tarifa zero no transporte público coletivo urbano aos sábados, domingos e feriados em todo o Brasil. Além disso, ela cita ainda como pautas deste ano a votação do orçamento e a complementação da reforma tributária. Todas com impacto no próximo ano.

A senadora destaca, ainda, o compromisso fiscal do governo e as reformas tributária e de renda, também olhando para o ano que vem. Ela reforça que em 2027 também tramitará nos estados a regulamentação do Sistema Nacional de Educação e do Plano Nacional de Educação.

"O presidente disse que vai nessas duas frentes de políticas públicas básicas trabalhar bastante a saúde e a educação. O que a gente fez nesse último período em relação ao SUS não foi pouca coisa, mas o presidente quer mais", afirma.

Ano desafiador para a governabilidade do presidente?

A líder do governo no Senado não esconde que será desafiador exercer a governabilidade a partir do próximo ano, com o principal partido da oposição, o Partido Liberal (PL), ocupando mais de um terço das cadeiras na Câmara Alta. Entretanto, o ar atual é de incerteza, uma vez que a principal liderança do partido, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas eleições presidenciais no último domingo, fugiu do Brasil após uma ordem de apreensão do passaporte pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eu não sei quem é que vai coordenar essa oposição", afirma, depois de o líder em potencial do PL, após o partido receber quase 60 milhões de votos no segundo turno das eleições e ter ampliado sua bancada na Câmara e no Senado ter deixado o país rumo aos Estados Unidos.

Após a entrevista, Flávio Bolsonaro, já em território norte-americano, publicou uma carta golpista na rede social X se autodeclarando presidente eleito do Brasil. No comunicado, chama a atenção o brasão, com o nome errado do próprio país. Ao invés de República Federativa do Brasil, o senador utilizou um emblema escrito: Estados Unidos do Brazil, nome oficial do país entre 1889 e 1967. O documento foi apagado e publicado novamente com o brasão correto. Posteriormente, ele atualizou também sua dominação, trocando os termos presidente eleito por líder.

Da parte da ala governista na legislatura, Teresa Leitão promete o diálogo da coalizão. "Nós temos muita certeza de que sozinhos nós não temos números suficientes de aprovar matérias, precisamos continuar o diálogo".

PT vai apoiar reeleição de Alcolumbre na presidência do Senado?

De acordo com a senadora, até o momento só há um candidato anunciado para disputar a presidência do Senado em 2027, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Apesar disso, ela acredita que o atual presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), deve tentar a reeleição. Se o Partido dos Trabalhadores (PT) vai apoiá-lo ou não, ainda não está decidido.

Uma reunião da bancada do PT, com os atuais senadores e os senadores eleitos, será realizada na próxima semana para definir a posição do partido em relação à eleição para a presidência do Senado, disse Teresa Leitão à Sputnik Brasil.

"Nós vamos reunir toda a nossa tropa para tirar uma posição em relação à eleição. E vamos fazer isso, talvez, na próxima terça ou quarta-feira, e anunciar a nossa posição. Nós vamos pesar direitinho o cenário, colocar a importância que o PT tem, porque tem a segunda maior bancada do Senado, e temos também a responsabilidade de representar o partido do presidente da República. Queremos dialogar. Sabemos que sozinhos não podemos aprovar nada, temos que fazer acordos, negociações, coalizões e vamos nos preparar para isso. Se disso daí pode vir o apoio ao presidente Alcolumbre, na próxima semana nós tornaremos isso público."