Um ano da operação mais letal do Rio e busca por respostas continua
Familiares de vítimas ainda aguardam laudos sobre as circunstâncias das mortes.
Um ano após a megaoperação mais letal da história do Rio de Janeiro, ainda não há evidências de estabilização ou retomada de territórios pelas forças de segurança pública. As dúvidas sobre a atuação policial também seguem sem respostas. Familiares reclamam por não ter acesso aos laudos cadavéricos das vítimas, o que impossibilita determinar como as mortes aconteceram.
O advogado de direitos humanos Rodrigo Mondego questiona a eficiência da operação policial, já que não houve a prisão de integrantes do primeiro escalão do crime organizado.
"De maneira geral, para o morador do Rio de Janeiro, do Complexo da Penha, do Complexo do Alemão, não mudou absolutamente nada. A senhorinha que há 30, 40 anos ficava tranquila na porta de casa, conversando com a vizinha, ela não voltou a conversar […] depois do que ocorreu, porque o índice de criminalidade continua o mesmo, a sensação de medo continua a mesma."
Com mais de 30 anos de pesquisa na área de segurança pública, Silvia Ramos explica que o melhor caminho para combater o crime organizado é a desarticulação da cadeia de comando. Para ela, matar pessoas em operações ostensivas não funciona porque elas são substituídas no dia seguinte.
A opinião é compartilhada pelo especialista em segurança Ignácio Cano. Ele conta que as forças policiais acreditam que a ausência de operação vai permitir que o tráfico amplie sua atuação, mas isso não se comprova cientificamente.
"Seria desejável, seria um plano que fosse ocupando [...] que fosse ampliando a intervenção do Estado nesses territórios, os serviços públicos, etc. Mas também que conseguisse evitar as extorsões e o domínio territorial exercido por esses grupos. E uma ocupação, uma intervenção que não envolvesse grandes quantidades de mortes, como essas operações que a gente viu ano passado. Esse é o grande desafio, mas até agora ninguém foi capaz de desenvolver."
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