SAÚDE

Retinopatia diabética atinge um em cada três diabéticos no Brasil

Conselho Brasileiro de Oftalmologia alerta para a prevenção e tratamento da doença ocular que pode causar perda de visão.

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 28/10/2026 às 13:50
Campanha do CBO alerta para a retinopatia diabética, um problema grave de saúde pública.

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil desenvolverá, em algum momento da vida, retinopatia diabética – uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Os dados são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Visando conscientizar a população e, principalmente, aqueles que convivem com o diabetes, a entidade organizou dicas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

Riscos

Os dados indicam que a retinopatia diabética atinge de 24% a 39% das pessoas com diabetes no país. O risco aumenta conforme o tempo que o paciente vive com diabetes – após 20 anos, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% dos com tipo 2 terão algum grau de retinopatia.

Com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5%, segundo o CBO.

A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, destacou que as alterações podem evoluir silenciosamente, sem sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico. “Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho.”

“Todos temos que ter o comprometimento e a responsabilidade social de divulgar informações. É um problema grave de saúde pública.”

Prevenção

Para evitar o agravamento do problema, recomenda-se que pessoas com diabetes realizem visitas regulares ao médico oftalmologista, mesmo antes do surgimento de sintomas. “Ausência de sintomas não significa que não haja alterações. O acesso ao exame oftalmológico é essencial”, alertou Frazão.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, do Ministério da Saúde, recomenda que a fundoscopia, ou exame de fundo de olho, é um dos principais recursos para identificar a retinopatia diabética.

Conforme o protocolo, o exame deve ser feito na primeira consulta de quem tem diabetes tipo 2 e, para pacientes com diabetes tipo 1, o rastreamento deve iniciar cinco anos após o diagnóstico.

Em crianças e adolescentes, o primeiro exame deve ser considerado até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade.

Para os que não apresentam retinopatia ou têm a forma leve, o acompanhamento costuma ser anual; já para os casos moderados ou graves, as revisões devem ser mais frequentes.

Mulheres grávidas ou que planejam engravidar também necessitam de avaliação, com exames trimestrais durante a gestação.

Cuidados

O CBO enfatiza que a prevenção da retinopatia diabética ocorre em grande parte fora do consultório, por meio de hábitos que ajudam a manter a glicemia e a pressão arterial sob controle.

As recomendações incluem:

  • consumir mais fibras e verduras;
  • reduzir açúcar, sal e alimentos ultraprocessados;
  • evitar fumo e álcool;
  • manter peso saudável;
  • garantir um bom sono;
  • reservar momentos de lazer.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento começa em uma unidade básica de saúde (UBS) ou pela Estratégia Saúde da Família (ESF), que encaminha o paciente ao profissional de saúde.

Planos de saúde permitem que o paciente agende consultas com médicos oftalmologistas credenciados, e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) cobre diversos exames oculares.

“O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados”, finalizou Maria Auxiliadora.