FINADOS

De ritual medieval a evento cultural: como surgiu o Dia de Finados e como a data se reinventou ao longo de mil anos

Por Assessoria Publicado em 28/10/2026 às 14:43
Cemitério Vertical, inaugurado em 1989, em Curitiba Divulgação

Rituais de memória se transformaram ao longo dos séculos. Com quatro dias de programação, o Cemitério Vertical de Curitiba é exemplo ao reunir celebrações religiosas, apresentações musicais, atividades culturais e espaços para toda a família.

Todos os anos, em 2 de novembro, milhões de pessoas reservam um momento para lembrar familiares e amigos que já partiram. Cemitérios recebem visitantes, flores são deixadas sobre túmulos e orações se misturam a lembranças.

Mas você sabe por que essa homenagem acontece justamente nessa data? A resposta nos leva a um mosteiro francês de mais de mil anos atrás, onde uma decisão religiosa daria origem a uma das tradições mais conhecidas em diversos países do mundo, incluindo o Brasil.

A história começa na Abadia de Cluny, na França, no final do século X. Naquele período, comunidades cristãs já tinham o costume de rezar por seus entes queridos, mas não havia uma data universalmente estabelecida para essa homenagem. Foi o abade Odilo de Cluny quem determinou que os mosteiros sob sua orientação reservassem o dia 2 de novembro para orações em memória dos fiéis falecidos, e o chamou inicialmente de “Dia de todas as almas”.

Segundo o Vaticano, a instituição da celebração é tradicionalmente situada no ano de 998. A escolha do dia não foi por acaso: 2 de novembro vem imediatamente depois do Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.

O costume se espalhou gradualmente por outras comunidades religiosas até se consolidar como tradição mundial. Mais de mil anos depois, o Dia de Finados permanece como uma ocasião dedicada à memória, à saudade e à relação que as pessoas mantêm com a história de seus entes queridos.

Antes de Finados, como as pessoas homenageavam quem partia?

Embora a data tenha origem medieval, o hábito de dedicar cuidados e homenagens a quem já partiu é muito mais antigo. Há registros de orações pelos falecidos entre comunidades cristãs desde o século II, inicialmente realizadas em momentos específicos após o sepultamento e nos aniversários de morte.

A prática de preparar despedidas, porém, remonta a milhares de anos antes. Em uma caverna no atual território de Israel, pesquisadores encontraram vestígios de plantas floridas utilizadas em sepultamentos de aproximadamente 13,7 mil a 11,7 mil anos atrás. A descoberta, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), está entre as evidências diretas mais antigas sobre o uso de flores em sepulturas.

Com o passar dos séculos, cada sociedade desenvolveu suas próprias formas de despedida. No Dia de Finados, visitas aos cemitérios, flores, orações e encontros familiares se tornaram maneiras de recordar pessoas queridas e expressar sentimentos que nem sempre encontram espaço nas palavras.

“Os rituais de despedida e homenagem ajudam a dar expressão a sentimentos que nem sempre conseguimos entender. Cada pessoa encontra sua maneira de lidar com a perda, e respeitar esse tempo e essas formas de expressão é importante para atravessar o luto”, avalia Carlos Camargo, sócio-diretor do Cemitério Vertical de Curitiba.

Como os rituais de despedida mudaram ao longo do tempo

Mais de mil anos depois da instituição do Dia de Finados, alguns costumes permanecem praticamente os mesmos. Outros foram incorporados ao longo do tempo, acompanhando mudanças na maneira como as famílias vivem a despedida, compartilham lembranças e encontram apoio para lidar com a ausência.

A tecnologia também passou a fazer parte dessa transformação, criando novas possibilidades para que familiares e amigos participem das despedidas e prestem homenagens, mesmo à distância. No Cemitério Vertical de Curitiba, a transmissão de cerimônias pela internet, adotada durante a pandemia de covid-19, continua sendo uma alternativa para quem não consegue estar presente.

Mas as mudanças não se limitam à tecnologia. Em alguns cemitérios, o Dia de Finados deixou de ser marcado exclusivamente por visitas individuais e celebrações religiosas para também reunir atividades culturais, apresentações musicais e espaços de convivência entre diferentes gerações.

Em Curitiba, essa proposta está presente na trajetória do Cemitério Vertical, inaugurado em 1989. Desde sua criação, o espaço busca tratar a despedida não apenas como uma cerimônia, mas como um momento que exige atenção às famílias e cuidado com os detalhes. Essa preocupação fazia parte da visão de seu idealizador, Nelson Fernandes, e se reflete nas iniciativas desenvolvidas pela instituição ao longo dos anos.

"As homenagens tradicionais continuam presentes, agora acompanhadas de outras maneiras de expressar afeto, compartilhar histórias e preservar a memória de quem partiu", explica Camargo.

Para ele, a ampliação das formas de homenagem acompanha as diferentes necessidades de quem enfrenta uma perda. “No Dia de Finados, lembrar quem partiu pode significar visitar um túmulo, reunir a família para contar histórias ou simplesmente reservar um momento para a memória. A data não elimina a saudade, mas oferece uma oportunidade para reconhecê-la e compartilhá-la. E, quando a ausência se torna difícil de enfrentar, buscar apoio também é uma forma de cuidado”, afirma.

Essa combinação entre tradição e novas formas de homenagem orienta a programação de Finados de 2026 do Cemitério Vertical, que será realizada entre 30 de outubro e 2 de novembro, com o tema “A Vida Continua em Amor”. Ao longo dos quatro dias, o espaço receberá celebrações religiosas, apresentações de corais, homenagens ao som de violino e exposições de orquídeas e pinturas.

A programação também contempla atividades que permitem a participação de toda a família. Estão previstas apresentações de teatro, oficinas de pulseiras personalizadas, ações interativas, um espaço dedicado às crianças, feiras de artesanato e de adoção de animais, além de iniciativas sociais e de cuidado com os visitantes, como quick massage - sessões de massagem pensadas para proporcionar momentos de pausa, relaxamento e acolhimento em uma data que pode despertar saudade e emoções ligadas à perda de entes queridos.

No dia 2 de novembro, as homenagens se encerram às 18h15 com o “Caminho das Luzes”, um dos momentos mais emocionantes da programação. A cerimônia começa com a apresentação do coral formado por integrantes da equipe do Cemitério Vertical, que se preparam especialmente para acolher o público.

Durante a ocasião, os participantes acendem velas e seguem em cortejo pela área central do cemitério, com as luzes do ambiente apagadas. Iluminado pelas velas, o percurso proporciona um momento de emoção e acolhimento, em uma homenagem coletiva à memória daqueles que partiram. A cerimônia também é transmitida ao vivo pelo YouTube, permitindo que familiares e amigos acompanhem a homenagem mesmo à distância.

"A diversidade de atividades mostra como a data pode reunir diferentes experiências em um mesmo espaço. Enquanto alguns visitantes procuram o silêncio e a oração, outros encontram nas apresentações musicais, nas atividades compartilhadas ou no contato com familiares uma maneira de recordar quem já partiu. São formas distintas de viver uma tradição que, apesar das mudanças, continua dedicada à memória e aos vínculos afetivos”, conclui Carlos.

Serviço — Finados 2026 no Cemitério Vertical

Evento: A Vida Continua em Amor

Local: Cemitério Vertical de Curitiba, na Rua Konrad Adenauer, 940, Curitiba (PR).

Sexta-feira, 30 de outubro — Auditório Central

19h: Abertura com apresentação do Coral Vertical

19h30: Culto ecumênico com o pastor Nelson Negrão

Sábado, 31 de outubro

15h: Missa solene celebrada pela Paróquia Santa Bertila

Atividades especiais — 31 de outubro, 1º e 2 de novembro

Durante o dia: Exposição “Amor que Floresce”, do AmorQuidário, com exposição e venda de orquídeas

Durante o dia: Exposição “As Cores do Meu Paraná”, com venda de pinturas em benefício do Socorro aos Necessitados

Durante o dia: Homenagens ao som de violino, com inscrições limitadas

Das 9h às 17h: Feira Social Pet, com adoção de cães em parceria com ONGs protetoras de animais

Das 9h às 17h: Feira de produtos artesanais e institucionais, vinculada ao Socorro aos Necessitados e ao Lar dos Idosos do Tarumã

Segunda-feira, 2 de novembro — Auditório Central

8h: Missa solene, celebrada pela Paróquia Santa Bertila

9h30: Apresentação do Coral Vertical

10h: Culto ecumênico com o pastor Nelson Negrão

11h: Missa solene, celebrada pela Paróquia Santa Bertila

13h: Apresentação musical da Escola de Música Musicallis

13h30: Palestra “Adotei um pet, e agora? Os primeiros cuidados com o novo membro da família”, com a médica-veterinária Francis Cherobim e a protetora de animais Ana Maso, da ONG Me Audote

15h: Culto ecumênico com apresentação do Curitiba Coral, da Igreja Adventista do Sétimo Dia

17h: Missa solene, celebrada pela Paróquia Santa Bertila

18h: Apresentação do Coral Vertical

18h15: Caminho das Luzes, cortejo à luz de velas

Jardim Principal — 2 de novembro

Das 8h às 17h: Espaço do Cuidar, com sessões de quick massage

Das 8h às 17h: Oficina do Vínculo, com confecção de pulseiras personalizadas

Das 8h às 17h: Cores que nos Unem, atividade interativa relacionada a um livro

Área externa — 2 de novembro

Das 8h às 18h: Espaço Criança, com recreadores

Das 9h às 17h: Ações de saúde da ONG Médicos do Mundo, com aferição de pressão arterial, serviços de enfermagem, eletrocardiograma e orientações de saúde

Das 9h às 17h: Feira Arte e Afeto, com exposição e venda de trabalhos de artistas locais e da terceira idade da Comunidade Nossa Senhora das Dores

Transporte gratuito: serviço Leva e Traz, com embarque na Avenida Victor Ferreira do Amaral, esquina com o Jockey Plaza Shopping, e saídas de hora em hora a partir das 7h30 no dia 2 de novembro.

Acessibilidade: intérpretes de Libras durante todo o dia 02/novembro.

Atendimento administrativo especial: 31 de outubro, das 8h às 12h; 1º e 2 de novembro, das 8h às 17h30.

Informações: (41) 3360-6000 | 0800 41 6902