POLÍTICA

Análise aponta que vitória democrata pode restringir iniciativas internacionais de Trump

Andrew Napolitano destaca que uma maioria no Congresso pode dificultar ações do presidente em relação ao Irã e Ucrânia.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 28/10/2026 às 13:40
Análise sobre possíveis impactos da vitória democrata nas políticas externas de Trump. © AP Photo / J. David Ake

Em entrevista à Sputnik, o jornalista e jurista norte-americano Andrew Napolitano avaliou que os resultados das eleições legislativas nos EUA podem alterar o equilíbrio de poder em Washington e impor obstáculos relevantes à agenda da Casa Branca. Segundo ele, os democratas têm boas chances de assumir o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado.

"É quase certo que os democratas terão o controle da Câmara e, provavelmente, do Senado", afirmou. Para Napolitano, caso o partido controle as duas casas do Congresso, passará a comandar as decisões orçamentárias, o que limitará, de forma séria e profunda, a capacidade de Trump de travar uma guerra no Irã, fornecer ajuda ilimitada a Israel ou até mesmo prestar assistência ao regime de Zelensky em Kiev.

O analista observou que, mesmo em um cenário no qual os republicanos mantenham o Senado e os democratas conquistem apenas a Câmara, ainda haveria instrumentos para dificultar a ação presidencial. Contudo, ressaltou que a capacidade de pressão seria menor do que aquela proporcionada pelo controle simultâneo das duas casas legislativas.

Napolitano argumentou que a principal preocupação de Trump não se limita às disputas sobre orçamento e política externa. Segundo ele, o presidente também teme o desgaste provocado por investigações parlamentares conduzidas pela oposição, que poderiam consumir tempo e energia política da administração.

"O maior receio de Trump é a perda de tempo e o constrangimento pessoal decorrentes das intermináveis investigações que os democratas, na Câmara, provavelmente conduzirão", disse. Na avaliação do jurista, esse processo acabaria desviando a atenção do presidente da condução da política externa.

Como exemplo, ele citou a possibilidade de o Congresso restringir a atuação de particulares em negociações diplomáticas. "É possível imaginar o Congresso proibindo que particulares negociem em nome dos Estados Unidos", declarou, acrescentando que uma medida desse tipo afastaria completamente figuras como Steve Witkoff e Jared Kushner dessas funções.

O analista também afirmou que os democratas poderiam contornar um eventual veto presidencial ao incluir limitações à conduta de Trump em projetos considerados indispensáveis para o funcionamento do governo federal. Segundo Napolitano, medidas relacionadas ao financiamento do Pentágono, do Departamento de Justiça ou do sistema judiciário criariam forte pressão política para sanção da lei, mesmo que ela contivesse restrições ao próprio presidente.