China dá início à construção de ilha científica flutuante
Plataforma avaliada em mais de US$ 400 milhões será entregue em 2030 e abrigará 200 pesquisadores.
De acordo com o South China Morning Post, a China iniciou a construção de uma gigantesca plataforma científica marítima flutuante descrita como a primeira ilha artificial móvel e autossustentável do mundo.
Desenvolvido pela Universidade Jiao Tong de Xangai, o projeto recebeu um contrato de mais de 2,7 bilhões de yuans (cerca de R$ 2,17 bilhões) e tem conclusão prevista para junho de 2030.
A estrutura foi concebida para superar limitações de navios de pesquisa convencionais, que enfrentam dificuldades para permanecer estáveis em mar aberto sob condições climáticas severas. Ao mesmo tempo, busca oferecer uma alternativa às plataformas offshore fixas, que são resistentes, mas não podem ser deslocadas para novas áreas de estudo.
Batizada oficialmente de Instalação de Pesquisa Flutuante Permanente para Águas Profundas e Qualquer Condição Climática, a plataforma é considerada um dos principais projetos de infraestrutura científica do 14º Plano Quinquenal da China.
A chamada "ilha flutuante móvel de alto-mar" poderá navegar a até 11 nós, aproximadamente 20 km/h, e acomodar mais de 200 pesquisadores. Diferentemente de estações fixas e embarcações tradicionais, sua operação não dependerá das limitações usuais de combustível e suprimentos.
A plataforma terá 138 metros de comprimento, 85 metros de largura e deslocamento máximo de cerca de 74 mil toneladas, dimensão próxima à de um grande porta-aviões. Seu convés principal ficará a 45 metros acima do nível do mar, equivalente à altura de um edifício de 15 andares.
O projeto utiliza um casco duplo semissubmersível capaz de operar em mar muito agitado, com ondas de até nove metros, além de resistir a tufões de intensidade 17 na escala Beaufort (de aproximadamente 220 km/h). Segundo os projetistas, mesmo ondas extremas de 20 metros não conseguiriam atingir os laboratórios e alojamentos instalados no convés principal.
A infraestrutura contará com seis laboratórios dedicados a áreas como equipamentos marítimos pesados, observação meteorológica de desastres e monitoramento de ecossistemas marinhos. De acordo com os responsáveis pelo projeto, a instalação será usada em pesquisas oceânicas de longa duração, testes tecnológicos e observação de fenômenos extremos, permanecendo aberta à colaboração de instituições e empresas de todo o mundo.