DEFESA

O futuro do projeto Prosub: desafios e perspectivas

Com o novo adiamento para 2038, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos enfrenta questões de continuidade e investimento.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 28/10/2026 às 07:02
Prosub: projeto estratégico brasileiro de defesa naval com investimento bilionário. © Foto / Divulgação / Marinha do Brasil

Até o momento, o projeto demandou investimentos de cerca de R$ 40 bilhões e exige um tempo de maturação para a sua execução, conforme explicou Thayná Fernandes, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN), em entrevista à Sputnik Brasil.

Desde o lançamento do Prosub, foram investidos cerca de R$ 40 bilhões. É uma questão de continuidade de investimentos que atrasam e acabam atrapalhando um pouco a percepção de priorização dos projetos estratégicos. A ideia do Prosub foi, de fato, a renovação da esquadra marítima e o nosso poder naval, só que são projetos que demoram e são custosos.

A especialista aponta que, ao manter o programa, Brasília visa dominar a expertise tecnológica de uma embarcação de propulsão nuclear, um processo complexo cujas etapas de produção o país ainda não domina.

A escolha do Brasil foi por ter autonomia no desenvolvimento dessa tecnologia de propulsão naval, que é com urânio de baixo enriquecimento; de toda maneira, é algo que o Brasil nunca desenvolveu, e essa troca com os franceses leva tempo e é bastante custosa. O Prosub não envolve só um único submarino de propulsão nuclear, mas existem outros três submarinos convencionais.

Projeto Prosub deve ser mantido, apesar dos pesares

Segundo a análise de Fernandes, apesar de o Prosub ter sido iniciado em 2009 e de ainda não haver uma conclusão efetiva do submarino de propulsão nuclear, esse programa deve continuar por ser um vetor importante para o desenvolvimento da Defesa brasileira.

Se a gente conseguir fazer esse investimento interno, esse desenvolvimento dessa capacidade nossa, ele pode se espraiar para outras áreas também. Então, são questões importantes: embora seja chato, seja demorado, seja questionável, seja muito custoso, de maneira estratégica é importante que o projeto tenha continuidade no sentido da autonomia.

Outro ponto levantado pela pesquisadora é que, além de reivindicar um outro tipo de negociação com a França, país parceiro do Brasil nessa empreitada, a própria parte brasileira precisa fazer uma intensa avaliação interna para rever pontos que possam acelerar o processo sem depender tanto dos franceses.

O que a gente precisa estabelecer talvez seja um novo tipo de negociação [com a França] ou fazer com que os processos consigam ser acelerados. Mas é uma questão também de revisão interna nossa. O quanto que a gente precisa repensar nos nossos orçamentos, no quanto a gente investe, na priorização que a gente tem escolhido fazer dentro desses projetos estratégicos.

Prosub destaca o Brasil entre os países do Sul Global

Para Thayná, o processo do Prosub, assim como sua futura conclusão, permitirá uma posição privilegiada em âmbito militar que diferenciará o país entre as nações do Sul Global, devido à alta tecnologia envolvida em um submarino de propulsão nuclear.

Se bem que a gente precisa pensar: 'a tecnologia está tão avançada que talvez lá em 2038 pensar em um submarino de propulsão nuclear tenha se tornado algo obsoleto'. Ok, mas será que ter a autonomia para desenvolver um reator de propulsão nuclear não é interessante para a gente enquanto nação? Porque isso coloca o Brasil num status diferenciado em relação aos países do Sul Global.

Em um sistema-mundo cada vez mais fragmentado e recrudescido, o setor de Defesa, além de primordial, é obrigado a inovar no âmbito tecnológico. O caso do Prosub demonstra o quanto o Brasil precisa, além de investimento, priorizar também soluções autóctones.