Avaliação de Kast despenca com aumento dos combustíveis no Chile
82% dos chilenos avaliam governo abaixo das expectativas após reajuste no setor.
Há cerca de sete meses como presidente do Chile, José Antonio Kast enfrenta uma deterioração de sua avaliação: em levantamento da Agenda Criteria, 82% dos entrevistados consideram que seu governo está abaixo das expectativas.
Victor Farinelli, jornalista e subeditor de jornalismo internacional do Opera Mundi, diz que a deterioração de Kast está relacionada principalmente à economia e à percepção de que as medidas adotadas pelo presidente chileno pioraram as condições de vida da população.
A alta dos combustíveis, após o corte de subsídios, pressionou a inflação e contribuiu para o aumento da insatisfação popular. O jornalista destaca que a reação também alcançou setores que apoiaram Kast durante a campanha, sobretudo após o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, cogitar a possibilidade de o Chile recorrer a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Só agora, com as medidas do Kast, é que as pessoas estão pensando: 'Poxa, no ano passado eu não estava tão ruim quanto o Kast estava dizendo, eu estou pior agora do que eu estava no passado'."
Somando à conversa, o internacionalista Henrique Martins pontua que o desemprego na casa dos 10%, uma máxima histórica, e os cortes em programas sociais decorrentes do ajuste fiscal de Kast impactaram a aprovação do presidente.
Martins diz que o desgaste na aprovação de Kast tem similaridades com o do presidente da Argentina, Javier Milei, que está indo para o terceiro ano de governo, com um ajuste fiscal de alto custo e sem grandes benefícios para a população argentina. Porém, ele diz que isso não significa um arrefecimento da onda de direita na América Latina.