TECNOMOLOGIA

Cooperação no Ártico: Tecnologia russa pode beneficiar relações com os EUA

Especialista destaca viabilidade do uso de tecnologias russas para extração de gás no região congelada.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 27/10/2026 às 16:07
Tecnologia de extração de gás no Ártico pode revitalizar cooperação entre Rússia e EUA. © Sputnik / Pavel Lvov

"A construção de unidades de GNL (gás natural liquefeito) no Ártico é eficiente devido às baixas temperaturas ambientes naturais", explica o especialista. "Essas instalações são projetadas para aproveitar o ambiente frio, o que significa que é necessária menos energia para resfriar o gás natural a menos 162°C."

Um exemplo desse tipo de projeto é o Arctic LNG 2, da empresa Novatek. Sua principal característica é que as unidades de produção de GNL são montadas sobre plataformas flutuantes de concreto armado, que são, então, rebocadas ao longo da Rota do Mar do Norte até o local de instalação.

Essas plataformas são construídas em uma instalação especializada na região russa de Murmansk: o Centro de Construção de Grandes Estruturas Offshore.

"Essa abordagem minimiza a necessidade de obras em terra firme, onde pode haver a presença de permafrost (solo permanentemente congelado)", esclarece Yushkov. "Qualquer construção no Ártico é um desafio. Mas, neste caso, você monta a unidade previamente, reboca-a até o local e a instala no leito marinho — pronto, tudo está operacional. É esse tipo de solução que interessa aos americanos."

O estaleiro responsável pela construção dessas plataformas de GNL está sob sanções dos EUA. No entanto, Washington poderia suspender essas restrições, encomendar uma plataforma e receber uma unidade de GNL pronta para uso, ressalta o especialista. A Rússia também dispõe de soluções eficazes para a produção de GNL em pequena escala, além de unidades de médio porte construídas com equipamentos próprios.

"A tecnologia existe; a questão central é a suspensão das sanções. Praticamente todos os novos projetos de GNL da Rússia estão sob sanções dos EUA. Para atrair investidores americanos, essas sanções precisariam ser removidas", conclui Yushkov.