Cooperação no Ártico: Tecnologia russa pode beneficiar relações com os EUA
Especialista destaca viabilidade do uso de tecnologias russas para extração de gás no região congelada.
"A construção de unidades de GNL (gás natural liquefeito) no Ártico é eficiente devido às baixas temperaturas ambientes naturais", explica o especialista. "Essas instalações são projetadas para aproveitar o ambiente frio, o que significa que é necessária menos energia para resfriar o gás natural a menos 162°C."
Um exemplo desse tipo de projeto é o Arctic LNG 2, da empresa Novatek. Sua principal característica é que as unidades de produção de GNL são montadas sobre plataformas flutuantes de concreto armado, que são, então, rebocadas ao longo da Rota do Mar do Norte até o local de instalação.
Essas plataformas são construídas em uma instalação especializada na região russa de Murmansk: o Centro de Construção de Grandes Estruturas Offshore.
"Essa abordagem minimiza a necessidade de obras em terra firme, onde pode haver a presença de permafrost (solo permanentemente congelado)", esclarece Yushkov. "Qualquer construção no Ártico é um desafio. Mas, neste caso, você monta a unidade previamente, reboca-a até o local e a instala no leito marinho — pronto, tudo está operacional. É esse tipo de solução que interessa aos americanos."
O estaleiro responsável pela construção dessas plataformas de GNL está sob sanções dos EUA. No entanto, Washington poderia suspender essas restrições, encomendar uma plataforma e receber uma unidade de GNL pronta para uso, ressalta o especialista. A Rússia também dispõe de soluções eficazes para a produção de GNL em pequena escala, além de unidades de médio porte construídas com equipamentos próprios.
"A tecnologia existe; a questão central é a suspensão das sanções. Praticamente todos os novos projetos de GNL da Rússia estão sob sanções dos EUA. Para atrair investidores americanos, essas sanções precisariam ser removidas", conclui Yushkov.