Consultora financeira morre após cirurgia ortognática
Kethiny Evinlyn Alves, de 34 anos, enfrentava problemas de saúde há anos antes do procedimento.
Dias antes de realizar uma cirurgia ortognática, procedimento de correção de alterações na estrutura óssea da face, a consultora financeira Kethiny Evinlyn Alves, de 34 anos, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que estava realizando um sonho antigo.
Segundo Maria Francisca, mãe de Kethiny, a filha sentia dores de cabeça e no maxilar desde a infância, além de incômodos na mastigação e na respiração.
A jovem morreu dois dias após o procedimento, que terminou com complicações. A família acusa a Santa Casa de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, de negligência e afirma que segue sem entender o que ocorreu e a causa da morte.
“Estamos devastados. Ela era uma menina linda, comunicativa e que era a ponte da família e dos amigos. Nós queremos respostas, em respeito à memória da minha filha. Mesmo que não traga ela de volta”, disse a mãe.
A família registrou um boletim de ocorrência contra a Santa Casa do município, onde foi realizada a operação. Procurada pelo Estadão, a instituição não se manifestou. O espaço segue aberto.
Segundo a família, o médico responsável pela cirurgia informou que a jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi entubada na UTI. No entanto, a equipe não tinha informações detalhadas sobre as possíveis causas do problema. O procedimento foi realizado na terça, 20. A jovem morreu dois dias depois.
A irmã da vítima, Kevely Caetano, explica que a documentação médica indicou um quadro de choque e hipóxia (falta de oxigenação) ao final da cirurgia, além de outras intercorrências não esclarecidas.
Já a guia de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) apontou choque refratário e uma possível lesão encefálica anóxica no pós-operatório. A certidão de óbito registra choque cardiogênico e choque distributivo.
A mãe e a irmã de Kethiny também questionam a conduta do médico responsável pela operação. Segundo elas, o profissional demorou cerca de três horas para informar a família sobre o falecimento. Quando confrontado, ele alegou que a falha tinha sido da equipe de enfermagem e do anestesista.