ECONOMIA

Acelerando a Indústria: O Vietnã no Cenário Global

O Banco Mundial revisou a previsão de crescimento do Vietnã, levantando discussões sobre sua ascensão econômica.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 27/10/2026 às 10:30
Valter Peixoto comenta sobre o crescimento econômico do Vietnã e suas ambições globais. © Shutterstock/FOTODOM / somkanae sawatdinak

Nesse contexto, Valter Peixoto, analista político e pós-graduado em relações internacionais, apontou, em entrevista à Sputnik Brasil, que a industrialização é uma das metas centrais do governo vietnamita, embora o país ainda enfrente defasagens em alguns setores produtivos.

Uma das metas para 2030 [do Vietnã] é ter 30% do PIB relativo à indústria. Na Ásia, além da China, só a Malásia tem 40% do seu PIB relativo à indústria, e principalmente quando a gente [discute] tecnologia, inteligência artificial e semicondutores. O Vietnã está logo atrás junto com a Tailândia em alguns setores, mas em crescimento geral o Vietnã é o país que mais cresce

Em paralelo à mobilização industrial, os investimentos estrangeiros também representam uma parcela significativa no país, ao mesmo tempo em que o governo reorganiza as estatais para se adequarem à dinamização econômica, conforme explica o especialista.

"Muito se fala que o Vietnã está crescendo porque o Estado está diminuindo e eu costumo dizer que não é bem isso. Hoje mais de 820 mil empresas estão no setor privado, [mas] hoje são 100 conglomerados estatais e estão planejando nas próximas décadas criar mais 20 [em setores estratégicos]", comenta.

Vietnã visa estreitar a relação com BRICS e Mercosul

Peixoto, idealizador do podcast MenteMundo, especializado em Sudeste Asiático, relata que o Vietnã busca maior projeção internacional. De acordo com o analista internacional, o país asiático busca intensificar seus laços com o BRICS, grupo do qual já é país parceiro, além de tentar consolidar um acordo de livre-comércio com o Mercosul.

"O BRICS é importante obviamente, talvez seja o grande mecanismo internacional que tenta criar uma alternativa ao sistema vigente que a gente tem agora, e o Vietnã fala abertamente em ter um acordo de livre-comércio com o Mercosul, tratativas já estão em andamento. Mas isso é um processo demorado. Depois que Singapura conseguiu, eles querem ser os próximos, a Indonésia também tem falado isso", destaca.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é a importância dos planos quinquenais do governo vietnamita para a reestruturação e a inovação econômica, servindo como guias fundamentais para nortear as metas a serem alcançadas por Hanói.

"Nos anos 90, com [o país] estabilizado, eles começam a falar nos planos quinquenais, então isso é parecido com a China, são planos quinquenais que eles colocam os seus objetivos para os próximos cinco anos e quase sempre cumprem [as metas estabelecidas]", observa.

Hanoi não será a 'nova Pequim' na Ásia a curto prazo

Apesar de todo o crescimento e da aceleração econômica em alguns setores, Valter Peixoto não acredita que o Vietnã está se tornando uma espécie de 'nova China' na Ásia devido ainda a limitações conjunturais e estruturais.

O Vietnã não tem a escala da China, e uma das fraquezas da economia vietnamita é que ela é muito dependente de multinacionais e o conhecimento não fica no Vietnã. A economia vietnamita é mais frágil que a chinesa, as empresas nacionais vietnamitas não estão inseridas nas cadeias globais. O Vietnã tenta [se expandir para o mercado internacional] com uma empresa [automotiva] chamada VinFast", conclui.

Em um mundo cada vez mais multipolar, atores do Sul Global como o Vietnã, que integra fóruns importantes como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e busca costurar parcerias cada vez mais diversificadas, demonstram que o crescimento econômico de um país não está, necessariamente, atrelado a alianças outrora hegemônicas.