COMÉRCIO

China critica UE por novas ameaças comerciais

Analistas chineses alertam que medidas protecionistas podem comprometer negociações bilaterais.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/10/2026 às 06:38
China critica medidas protecionistas da UE, apontando riscos para negociações comerciais. © AP Photo / Virginia Mayo

Críticas de analistas chineses às novas ameaças comerciais da presidente da Comissão Europeia elevam a tensão entre China e o bloco europeu. Especialistas avaliam que medidas protecionistas podem prejudicar negociações recentes e não resolver os desafios estruturais da indústria europeia.

As novas advertências da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre possíveis medidas comerciais mais duras contra Pequim geraram críticas de analistas chineses, que avaliam que a pressão comercial pode comprometer avanços recentes nas negociações bilaterais sem resolver os problemas estruturais da indústria europeia, segundo artigo do Global Times.

Em discurso no Parlamento Europeu, von der Leyen afirmou que a União Europeia (UE) deve estar preparada para acionar instrumentos de defesa comercial caso o diálogo com Pequim não produza resultados.

Apesar de reconhecer avanços nas consultas recentes, ela defendeu a adoção rápida de salvaguardas para proteger setores considerados vulneráveis, como os de química e maquinário.

A presidente da comissão também anunciou iniciativas para reduzir dependências externas, incluindo o pacote DiversifyEU (Diversifique UE) e um mecanismo que permitirá restringir com mais rapidez o acesso ao mercado europeu quando os interesses do bloco forem considerados ameaçados.

Para o diretor do Centro de Estudos Europeus da Universidade Renmin da China, Wang Yiwei, a postura mais rígida reflete a dificuldade da Europa em se adaptar às transformações industriais globais e ao avanço de fabricantes chineses em áreas como veículos elétricos. Segundo ele, barreiras comerciais podem oferecer alívio temporário, mas não substituem inovação tecnológica nem modernização industrial.

Wang argumenta junto à mídia asiática que o desafio europeu vai além da concorrência em produtos específicos e envolve a capacidade de desenvolver os sistemas industriais e as tecnologias que vão definir a manufatura do futuro. Na sua avaliação, a Europa precisa fortalecer suas próprias capacidades produtivas em vez de atribuir suas dificuldades à China.

A retórica mais dura surge pouco depois de China e UE alcançarem 16 pontos de consenso em negociações realizadas em Pequim, abordando temas como comércio, investimentos, controles de exportação, propriedade intelectual e reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora von der Leyen tenha destacado avanços em áreas como terras raras e veículos híbridos, ela afirmou que essas conquistas não resolvem os desequilíbrios comerciais mais amplos.

Mas de acordo com a apuração, analistas observam que o endurecimento do discurso também está ligado às pressões políticas internas da UE. Com 27 países-membros e interesses industriais distintos, Bruxelas enfrenta dificuldades para construir posições comuns.

Neste sentido, empresários e autoridades alertam para os custos de um aumento do protecionismo. Segundo o Global Times, o CEO da Mercedes-Benz, Ola Kallenius, afirmou que restrições comerciais podem elevar custos e desorganizar cadeias globais de suprimentos, enquanto a China insiste que divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo.