ONU solicita investigação da Meta sobre viés nas eleições brasileiras
Especialistas pedem explicações sobre algoritmos que podem favorecer candidatos nas plataformas da empresa.
Nove especialistas independentes ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) pediram nesta quarta-feira (21) que a Meta investigue se seus sistemas de inteligência artificial e moderação restringiram conteúdos de um dos lados da disputa eleitoral no Brasil.
"Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política. Quando a expressão política parecer estar sendo restringida de maneira desproporcional, as plataformas devem explicar o motivo, corrigir impactos desiguais e garantir recursos efetivos."
A cobrança ocorreu após relatos de que a IA do WhatsApp* recusava criar imagens de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas aceitava pedidos semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro (PL). O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a exigir explicações da empresa.
Segundo a Reuters, a Meta informou ao TSE na última terça-feira (20) que adotou medidas para garantir tratamento igualitário às campanhas presidenciais de Lula e de Flávio em suas plataformas.
A manifestação ocorreu após um ministro do Tribunal Eleitoral conceder à empresa um prazo de 24 horas para comprovar a implementação de medidas que assegurassem a distribuição equitativa de conteúdo, às vésperas do segundo turno das eleições, que acontece neste domingo (25).
Os especialistas alertaram que diferenças no alcance e na distribuição de publicações políticas podem prejudicar o debate democrático. Eles defenderam que a Meta revise seus sistemas e corrija eventuais desigualdades no tratamento dos candidatos.
*Plataformas proibidas na Rússia por extremismo