POLÍTICA

Cuba critica intensa pressão dos EUA na ONU por fim das sanções

Chanceler Bruno Rodríguez denuncia mobilização para minar apoio à proposta cubana na Assembleia Geral da ONU.

Por Sputnik Brasil Publicado em 21/10/2026 às 14:14
Chanceler de Cuba critica pressão dos EUA em relação à resolução sobre sanções. © AP Photo / Richard Drew

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, condenou a "mobilização brutal e extraordinária" dos EUA para retirar apoios ao projeto de resolução que pede o fim das sanções econômicas de Washington contra a ilha — proposta que será votada em breve na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Nesta ocasião, o recrudescimento extremo do bloqueio coincide com uma mobilização inusitada do Departamento de Estado dos EUA", declarou Bruno Rodríguez em coletiva de imprensa. Ele detalhou que Washington ameaça governos de vários países com a imposição de tarifas punitivas ou o encerramento de programas de cooperação, caso apoiem Havana.

Rodríguez classificou como "insólita" a "mobilização brutal e extraordinária" dos EUA, que exercem pressão sobre governos de todo o mundo às vésperas da votação — na qual Cuba tem, tradicionalmente, recebido um apoio majoritário.

O Departamento de Estado enviou documentos às embaixadas norte-americanas, instruindo-as a solicitar aos governos desses países que não votem a favor da "propaganda" de Cuba, apontou o diplomata.

Washington também ameaça aplicar tarifas punitivas, encerrar programas de cooperação com os EUA e interferir em processos eleitorais, entre outras medidas, assinalou Rodríguez. Ele acrescentou, inclusive, que foram exercidas pressões diretas sobre governantes da América Latina.

Segundo o chanceler, tais ações refletem "isolamento, impotência e desespero" por parte de Washington. Ele também criticou um evento recente, organizado pela representação dos EUA na ONU, que contou com a participação de opositores cubanos.

As autoridades norte-americanas tentam culpar o governo cubano pelos danos causados ​​pelo bloqueio, mas a comunidade internacional está ciente do impacto negativo desse mecanismo, afirmou o diplomata. Em setembro, o chanceler cubano informou que os prejuízos gerados durante o último ano pelo bloqueio dos EUA somam mais de US$ 8 bilhões, sem incluir os danos decorrentes do cerco energético imposto em janeiro de 2026.

Nos dias 27 e 28 de outubro, está prevista, na Assembleia Geral da ONU, a apresentação e votação do projeto de resolução que pede o fim do bloqueio dos EUA contra Cuba. Desde 1992, Havana apresenta anualmente a esse órgão tal projeto de resolução, o qual tem recebido, desde então, o apoio da maioria dos países-membros da organização multilateral.