Dólar registra leve alta em meio a incertezas eleitorais
Moeda encerra o dia cotada a R$ 5,0279 após três dias de baixa.
Após três pregões consecutivos de baixa, onde recuou 1,33% e flertou com o rompimento do piso de R$ 5,00, o dólar exibiu leve alta nesta quarta-feira, 21. A percepção de uma corrida eleitoral bastante acirrada às vésperas do segundo turno, em conjunto com o ambiente desfavorável para as divisas latino-americanas, levou a um movimento de ajustes e realização de lucros, segundo operadores.
"O mercado estava mais otimista nos últimos dias com a possibilidade de alternância de poder, mas as pesquisas, em geral, estão vindo muito apertadas. Isso segura o dólar acima de R$ 5,00", afirma o economista Fabrizio Velloni.
Após alcançar máxima de R$ 5,0433 no início da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,18%, a R$ 5,0279. Na terça-feira, a divisa fechou no segundo menor nível desde o primeiro turno da eleição presidencial. O dólar acumula baixa de 0,90% na semana e recua 2,84% em outubro, elevando as perdas no ano a 8,40%.
Entre os levantamentos divulgados nesta quarta, destaca-se a pesquisa da Quaest, que mostrou oscilação das intenções de voto em Flávio Bolsonaro, de 46% para 45%. O candidato do PL se mantém numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manteve com 44% - um quadro que configura empate técnico.
"Tivemos um ajuste técnico no dólar devido à incerteza eleitoral após a pesquisa da Quaest, que é contrabalançada por outras pesquisas que apontam, em média, vantagem de dois pontos porcentuais para a candidatura da oposição", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, em referência a sondagens como a Meio/Ideia, que traz Flávio com 48% contra 46% de Lula.
Para Guilherme Marques, diretor global de derivativos e câmbio na Hedgepoint Global Markets, o comportamento recente do dólar pode ser classificado como "lateralizado", com a moeda operando pouco acima de R$ 5,00.
"Temos uma leve alta com o mercado digerindo as pesquisas, que mostram uma eleição parelha", afirma Marques, ponderando que o ambiente de juros mais altos nos Estados Unidos, com o avanço das taxas dos Treasuries, é desfavorável a divisas emergentes.
Embora veja o dólar "lateralizado", Marques ressalta que medidas de volatilidade implícita estão nos maiores níveis desde a crise financeira de 2028, o que sugere oscilações mais intensas da moeda após o segundo turno da eleição presidencial.
"Podemos ver no pós-eleição uma variação de 2,5% no câmbio, para cima ou para baixo, ou seja, algo entre 10 e 12 centavos", afirma o diretor da Hedgepoint, que não prevê uma disparada do dólar em caso de reeleição de Lula. "A manutenção do atual governo já está um pouco precificada. Em caso de troca, pode haver uma empolgação maior que jogue o dólar mais para baixo".
À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total na semana passada (de 13 a 16) foi positivo em US$ 1,933 bilhão, com entrada líquida de US$ 1,889 bilhão via comércio exterior e de US$ 44 milhões pelo segmento financeiro, que abrange investimentos em carteira. Na primeira semana após a realização do primeiro turno (entre 5 e 9), com a surpreendente dianteira de Flávio, houve entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro.