NASA revela composição de anãs marrons com sonda SPHEREx
Estudo analisou 37 corpos celestes e identificou atmosferas ricas em moléculas complexas.
A sonda SPHEREx, da NASA, analisou 37 anãs marrons, conhecidas como "estrelas fracassadas", e revelou atmosferas ricas em água, metano, dióxido de carbono e monóxido de carbono. Os dados ajudam a entender a composição e a evolução desses corpos que vagam sozinhos pelo espaço, mas que ainda desafiam os modelos astronômicos.
Astrônomos utilizaram a sonda espacial SPHEREx, da NASA, para investigar as anãs marrons, objetos conhecidos como "estrelas fracassadas" por se formarem como estrelas, mas não possuírem massa suficiente para sustentar a fusão nuclear do hidrogênio. Esses corpos ocupam uma posição intermediária entre planetas gigantes e estrelas, com massas entre 13 e 80 vezes a de Júpiter.
Por se formarem de maneira semelhante às estrelas, mas sem atingirem o brilho característico delas, as anãs marrons costumam vagar sozinhas pelo espaço. Apesar desse isolamento, pesquisas indicam que suas atmosferas compartilham características químicas com as dos gigantes gasosos do Sistema Solar, revelando uma complexidade maior do que se imaginava.

Segundo os pesquisadores, o SPHEREx oferece uma vantagem importante ao observar comprimentos de onda que dificilmente podem ser detectados por telescópios terrestres, devido à absorção causada pela atmosfera da Terra. Isso permite analisar com maior precisão a luz emitida pelas nuvens profundas dessas anãs marrons.
Para o estudo, a equipe examinou 37 anãs marrons próximas, cobrindo toda a faixa de temperaturas típica desses objetos, de cerca de 2.200 °C a -20 °C. Como comparação, a superfície do Sol tem temperatura aproximada de 5.500 °C, evidenciando que as anãs marrons são corpos relativamente frios.
A análise espectral realizada pelo SPHEREx revelou atmosferas ricas em água, dióxido de carbono, monóxido de carbono e metano. Os cientistas observaram como a presença dessas moléculas varia conforme a temperatura e outras características dos objetos estudados, fornecendo pistas sobre sua composição e evolução.
Os dados também indicaram que algumas anãs marrons atravessam fases de transformação atmosférica intensa, marcadas pela dissipação de nuvens e pelo aumento da concentração de metano. O amplo alcance de comprimentos de onda observado pelo SPHEREx permite acompanhar essas mudanças de forma mais abrangente do que outras missões.
Apesar dos avanços, as anãs marrons continuam sendo um desafio para os modelos teóricos. Os pesquisadores afirmam que objetos com temperaturas semelhantes podem apresentar espectros bastante diferentes, dificultando a compreensão de seus sistemas atmosféricos. As descobertas, porém, ampliam o conhecimento sobre esses corpos e reforçam o interesse científico em explorar sua diversidade e evolução.
Por Sputinik Brasil