Exercícios Keen Sword 27 refletem mudança na ofensiva militar do Japão
Manobras conjuntos com os EUA marcam a introdução de novos armamentos e ampliação das capacidades japonesas.
Os exercícios militares Keen Sword 27, os maiores já realizados por EUA e Japão, marcam a estreia de mísseis japoneses de alcance ampliado e do sistema norte-americano NMESIS próximo a Taiwan. Segundo a mídia asiática, as medidas indicam uma ampliação das capacidades ofensivas de Tóquio e a integração militar com Washington.
Os exercícios militares conjuntos Keen Sword 27 (Espada Afiada 27), realizados por Estados Unidos e Japão e descritos pela mídia japonesa como um ensaio para a defesa das ilhas do sudoeste japonês, começaram nesta semana em sua maior edição já realizada.
Segundo a análise do Global Times, porém, o significado do exercício não estaria em sua apresentação oficial, mas em uma série de medidas inéditas que revelariam uma mudança no papel militar do Japão.
O primeiro destaque é o deslocamento, pela primeira vez, dos mísseis superfície-navio Tipo 25 para fora de sua base em Kumamoto.
Derivado do míssil Tipo 12, o armamento ampliou seu alcance de cerca de 200 km para 1.000 km, permitindo cobrir grande parte do mar do Sul da China, áreas da costa chinesa e a península coreana. Para os críticos, essa capacidade ultrapassa uma função puramente defensiva e amplia significativamente o potencial japonês de ataque de longo alcance.
Outro elemento inédito é o envio do sistema antinavio NMESIS dos EUA para a ilha de Yonaguni, localizada a apenas 110 km de Taiwan. Embora seja apresentado como um sistema voltado ao combate naval, o equipamento utiliza o míssil Naval Strike Missile, capaz de atingir alvos terrestres com precisão. A medida é vista como a transformação de uma área antes periférica em uma posição militar avançada com capacidade ofensiva.
O exercício também contará pela primeira vez com a participação de França, Alemanha, Países Baixos, Nova Zelândia e Filipinas.
Para a apuração, isso permite a Washington demonstrar sua capacidade de mobilizar parceiros no Pacífico Ocidental, enquanto Tóquio reforça sua crescente atuação militar com o respaldo político de aliados.
Além da ampliação geográfica e do número de participantes, o Keen Sword 27 incorpora áreas emergentes de conflito, como defesa cibernética, guerra de informação e guerra eletromagnética, além das tradicionais operações aéreas, terrestres e antimísseis, um movimento interpretado como parte do processo de modernização da aliança entre EUA e Japão e do fortalecimento das capacidades japonesas em novos domínios militares.
A mídia destaca que as iniciativas indicam que EUA e Japão estariam indo além da defesa convencional das ilhas, transformando o arquipélago do sudoeste japonês em uma plataforma avançada de projeção de poder com o posicionamento de armamentos de longo alcance e a integração crescente às operações norte-americanas.
O artigo conclui que o aprofundamento da cooperação militar com Washington, aliado à aquisição de capacidades ofensivas e às discussões sobre a revisão da Constituição pacifista japonesa, pode alterar a identidade de segurança construída pelo país no pós-guerra. Embora a participação europeia seja vista como majoritariamente simbólica, críticos alertam que a presença de mísseis próximos a Taiwan pode colocar o Japão na linha de frente de futuras tensões regionais.
Por Sputinik Brasil