PROTESTO

Manifestantes clamam por soberania digital em ato contra a Meta

Protesto ocorreu na Avenida Faria Lima, em São Paulo, em véspera do 2º turno das eleições.

Por Sputnik Brasil Publicado em 19/10/2026 às 22:13
Manifestantes em ato contra a Meta pedem respeito à soberania digital nas eleições brasileiras. © Foto / Maya Severino

Manifestantes protestaram nesta segunda-feira (19) em frente à sede da Meta*, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e tentaram entregar à empresa um documento pedindo que ela não interfira nas eleições presidenciais brasileiras.

O grupo tentou contato com Conrado Leister, diretor-geral da Meta no país, mas a entrega não foi concluída. Segundo os organizadores, a empresa quis receber o material na garagem do prédio, por meio de um funcionário terceirizado.

"A gente não conseguiu entregar o material. Quiseram receber a gente na garagem, uma pessoa terceirizada. Não é proporcional ao que está sendo esse ato histórico na frente da empresa", afirmou a programadora Veronyka Gimenes.

Ela diz que o grupo deve fazer uma entrega digital ao departamento responsável. Para Veronyka, o episódio reproduz a postura da Meta durante o processo eleitoral.

"Um completo descaso, promessas vagas. A gente não consegue acessar as pessoas responsáveis para resolver os problemas. Sequer a gente consegue conversar sobre os problemas", disse. Ela afirmou ainda que "os limites estão dados" e que a sociedade brasileira "vai se impor e vai regulá-la à força, se for necessário".

Os manifestantes defendem a soberania digital e de dados do Brasil e dizem que a interferência dos Estados Unidos no pleito não é nova. "Os Estados Unidos têm interferido através de todas as suas big techs de maneira ostensiva, há muitas eleições. Infelizmente, o imperialismo norte-americano sobrevive a mandatos até progressistas", declarou Veronyka, que defendeu o desenvolvimento de "tecnologias nacionais, públicas, soberanas".

O jornalista Caê Vatiero, integrante da organização Artigo 19, uma das que convocaram o ato, disse que a mobilização é contra a influência da Meta nas eleições.

Segundo ele, o campo da esquerda, veículos independentes e organizações da sociedade civil, além dos canais do presidente Lula, têm sofrido queda de alcance por causa do algoritmo da plataforma. "É muito complicado quando a gente vê uma influência tão forte de um país como os Estados Unidos interferindo na nossa soberania", afirmou.

Para ele, "entregar de bandeja" as eleições a outro país significa colocar em risco direitos conquistados ao longo de anos de luta.

O protesto acontece a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta ocupar o cargo hoje exercido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição para o quarto mandato.

As acusações contra a Meta também têm partido da campanha petista. A campanha de Lula afirma que vai levar uma denúncia contra a empresa à Organização dos Estados Americanos (OEA), por suposta interferência nas eleições.

Em documento, a campanha diz que a Meta atribuiu a "problemas técnicos" os episódios questionados. Na última sexta (16), brasileiros também protestaram em frente a escritórios da Meta na Europa.

*Plataforma proibida na Rússia por extremismo